5.2.09

_ponto final para continuar sem um fim

deixou tudo em nome da possessão
consumida pela sua própria obsessão
não deixou que eu me curasse da dor
me abraçava dizendo que era amor

sentia-se satisfeita, bastava, era só
destratava meus sentimentos, assim, sem dó
jogou minhas espectativas contra a parede
"não sou eu, é você que ninguém entende"

suas palavras, tão ásperas, tão malditas
mexiam em minhas atitudes, ficavam aflitas
sua risada amarga debochava da minha opinião
sempre foi mais forte por saber a verdade e eu não

tesão em rasgar a minha pele inteira
me comprou com um monte de asneira
apenas para perfurar o meu coração
nunca entendi qual era sua motivação

eu passava o dia inteiro a te beijar
agia ansioso até a hora de te amar
larguei minha vida para salvar a sua
como prêmio um não e o olho da rua

passei o tempo todo sofrendo ao seu lado
sei que merecia mais, merecia ser amado
contudo, está tudo muito melhor assim
precisava de um ponto final para não ser meu fim.

2 comentários:

Igor disse...

tic-tac o tempo vai passando e o gus ainda tá moody on his writings!

Igor disse...

"A união que associa amor, sexualidade e casamento é uma invenção da era burguesa. O amor-sexual, amor-paixão, como fundamento do casamento, surgiu na modernidade e, com ela, trouxe um elemento revolucionário, pois enunciava uma nova ordem das coisas. Nesse cenário, o amor vai percorrer uma longa trajetória até chegar à condição de força “irresistível”, sempre pronta a desembocar no casamento, como capturaram as telas de Hollywood. Passando pelo impulso dramático shakespereano, no século XVI, essa trajetória tem seu ponto de chegada no século XVIII, no bojo da revolução burguesa e nas idéias de liberdade individual. Em torno do novo ideal de conjugalidade instaurado, criaram-se muitas expectativas e idealizações, entre elas a idéia de casamento como lugar de felicidade onde o amor e a sexualidade são fundamentais. Desde então, a instituição casamento, moldada pelas determinações econômicas, sociais, culturais, de classe e gênero tem assumido inúmeras formas."
O amor e o casamento, tal como o conhecemos hoje, surgiu com a ordem burguesa, mas só ganhou feição a partir do século XVIII, quando a sexualidade passou a ocupar um lugar importante dentro do casamento. O amor, no sentido moderno de consensualidade, escolha e paixão amorosa, não existia no casamento, sendo, em geral, vivenciado nas relações de adultério, e a sexualidade não era vivida como lugar de prazer, sua função específica, era a reprodução. Da antigüidade à idade média, eram os pais que cuidavam do casamento dos filhos. O casamento não consagrava um relacionamento amoroso. Era um negócio de família, um contrato que dois indivíduos faziam não para o prazer, mas a conselho de suas famílias e para o bem delas. O principal papel do casamento era servir de base a alianças cuja importância se sobrepunha ao amor e à sexualidade. Escolha e paixão não pesavam nessas decisões, e a sexualidade para a reprodução era parte da aliança firmada."
Amor, casamento e sexualidade: velhas e novas configurações


Maria de Fátima Araújo*
Universidade Estadual Paulista