29.1.09

_eu no caminho de outro

Muitas pessoas buscam por elas mesmas em retiros, viagens, buscas incertas pelo mundo a fora. Isso não é uma regra a ser seguida, aliás podemos nos inspirar com o simples fato de existirem pessoas que enfrentam tormentas psicológicas e naturais para encontrarem um sentido na sua própria existência. E foi exatamente o que aconteceu comigo, hoje, ás 03:20 da madrugada. Por uma dica cultural de um amigo, que está viajando a algum tempo pela Europa, sobre um rapaz chamado Chris McCandless e sua incrível aventura para viver na natureza, sem recurso algum, no Alasca, eu acabei indo mais a fundo para conhecer um pouco mais dessa história e descobrir quem era esse rapaz, mas para minha surpresa eu acabei conhecendo um pouco mais de mim mesmo.

O filme inteiro mostra a determinação e o desapego aos ditos valores morais, que a sociedade coloca como peso sobre nossas cabeças, no qual o garoto acha a determinação suficiente para continuar sempre em frente. Ele deixa para trás seus pais perturbados e sua irmã, com quem ele repartia um grande apego familiar. Ao longo do caminho, Chris conhece figuras que eu podia ver como membros familiares ou grandes amigos, mas mesmo que todos fizessem o melhor para ele e ele se agradasse disso, o garoto precisava continuar indo em frente, tratando a todos como se fossem obstáculos. Isso me tocou no sentido que para ele era muito fácil desapegar de pessoas que sentiam tanto amor por ele, que choravam a sua partida, mas ele não se importava, seus sonhos eram mais altos e seu único plano era o Alasca.

Depois de ingerir uma planta venenosa, por ter se enganado quanto a sua espécie, Chris percebe que vai morrer e não há nada que possa fazer, ele está no meio de lugar nenhum, dentro de um furgão abandonado, no meio do Alasca. Ele sempre acreditou que era errado acreditar que a felicidade estava na base das relações humanas, mas que estava em todo e qualquer lugar. Outra coisa que para mim era difícil entender, pois interajo direto com pessoas, me alegrando e me entristecendo.

Mas foi aí que veio o grande climax, para mim, de todo o filme. Pouco tempo antes de morrer, Chris pega um dos livros que tanto lia e cita Tolstoy como sua conclusão: "Happiness is real only when shared". Isso significa que a felicidade só é real quando compartilhada. Ele precisou encontrar o isolamento, deixar todos para trás, magoar milhares de corações, para entender que ele nunca poderia viver da maneira que ele queria, pois a felicidade estava com as pessoas que o amavam e que ele, sabendo ou não, amava também.

Nesse momento meus olhos viraram verdadeiras piscinas de lágrimas. Imagens aos montes começaram a passar pela minha cabeça, pessoas que eu conheço ou conheci, aqueles que eu maltratei ou que ainda maltrato, as decisões que tive que tomar na vida, a maneira com que reagi, as vezes em que virei as costas para as pessoas que mais precisavam de mim... Ando um pouco sensível ultimamente, mas não entendo o porque, mesmo. Só sinto que meu corpo e minha mente estão implorando para eu mudar, para eu fazer algo, coisas que eu ainda tenho muito medo...

Mas quem sabe eu não consigo mudar as coisas? Tentar fazer da maneira que eu sinto que é certo. Tudo é muito incerto. Seria mais fácil se eu tivesse alguém pra dividir tudo isso e como conseqüência ser feliz.

Um comentário:

Nathália disse...

MEUS olhos acabaram de virar verdadeiras piscinas de lágrimas, agora.