21.12.08

_então é natal

Finalmente o bom velhinho vai sair de sua casa, no pólo norte, e distribuir para toda as crianças do mundo, sua mensagem de amor, de esperança e presentes. É fato marcado que algumas crianças quando perguntadas sobre quem é Deus, descrevem uma figura similar, senão exatamente igual, ao velho pólo-nortista.

No mundo cristão, o natal é a celebração do nascimento do menino Jesus, símbolo principal de toda a religião pós-judaica. Sendo assim, com quase 33% de toda a população mundial sendo cristã (católicos, protestantes, etc), o natal é uma das festas pseudo-religiosas mais globalizada do mundo. Ao modo de ver desses mesmos crentes, essa festa é motivo de celebração e perpetuação das mensagens de paz e harmonia entre todos os povos, mas de boas intenções o inferno está cheio. Mantendo o pensamento niilista da Igreja e acompanhando os relatos bíblicos, os fiéis não só relembram do nascimento do seu Messias, como também, o fato de seu retorno estar, possivelmente, cada vez mais próximo. Lendo algumas páginas do livro de apocalipse, podemos relatar fatos fantásticos e inimagináveis para meros mortais como nós - “E vi subir do mar uma besta que tinha sete cabeças e dez chifres, e sobre os seus chifres dez diademas, e sobre as suas cabeças um nome de blasfêmia, APC 13:1” - e ao mesmo tempo, paramos para pensar sobre o tal dia que há de chegar.

Com todas as palavras de esperanças contidas neste livro, os próprios fiéis sentem calafrios ao ouvirem termos como “besta” e “sofrimento eterno”. Por outro lado, enquanto nós cristãos aguardamos o dia do retorno de nosso Messias com certo distanciamento, pessoas que passam horrores muito mais assustadores do que os relatados na Bíblia, anseiam pelo dia descrito a tanto tempo atrás.

Li a pouco uma matéria na VEJA – manipuladora, mas com informações relevantes – que me deixou intrigado e pensativo. Enquanto o simbolismo natalino é espalhado e vendido por empresas publicitárias e companhias de telemarketing, milhares de pessoas são postas sob a opressão e o desespero de vivenciarem um genocídio sem fim no coração da África. Cristãos de países desenvolvidos fazem trabalhos missionários, acreditando que disseminar a palavra de Deus para os povos menos afortunados, trará a salvação, talvez não neste mundo, mas noutro. A resposta é dura e sincera: “Precisamos de Cristo não porque os homens se esquecem de ter fé, mas porque, com freqüência, eles abandonam a Razão e cedem ao horror”.

É triste saber que ainda, depois de tantas décadas, o homem não aprendeu com os seus erros e pior, insiste constantemente em repetí-los. Guerras pelo poder e pelo dinheiro, como crianças disputando um canto melhor do playground. Fronteiras dividindo países, pessoas, famílias, esperanças. Ditadores disfarçados de políticos e políticos disfarçados de revolucionários. Um mundo, onde as pessoas não podem confiar nem em suas próprias sombras, declama que o Natal vem aí para trazer amor e esperança.

Escrevo a minha carta para o Papai Noel com cópia para Deus e peço a eles que leiam com atenção e compreendam a minha boa intenção. Se é que algum dos dois existe, venham e terminem de vez com a dor de tantas pessoas no mundo. Ajudem aqueles que precisam e merecem – relativo – ser ajudados. Quantas mais lágrimas e quanto mais sangue a terra há de degustar até o Salvador retornar? Me sinto infeliz por saber que essa carta não tem destinatário real e nunca será respondida, mas mais infeliz eu fico de saber que a culpa é do homem e o homem nada faz para mudar.

2 comentários:

Nathália disse...

Triste e real...

Bruna Escaleira disse...

ahm, não vou comentar sobre a veja por aqui.. (blá)
mas olha, quê título! (http://algo-a-declarar.blogspot.com/2007/12/ento-natal.html)