1.12.08

_ensaio sobre o "amar"

Amar não é algo que você decide, – não se espantem a toa – que escolhe de uma hora para outra. Há enganos, não posso negar, aliás como começar a amar se não por mero acaso? Um dia no parque, sol do meio dia, meninada no playground, as babás e as mães observando ao longe para não estragar a brincadeira. Você levanta do banco, caminha até um bebedouro para refrescar os pensamentos e pronto! Dá de cara com uma moça que pensou a mesma coisa que você, naquele mesmo momento, naquele mesmo bebedouro. O gaguejar dos dois desconhecidos, o cavalheirismo de sua parte e o sorriso de satisfação da moça. Enquanto sua mais nova colega de sede mata quem a estava matando, os teus olhos não deixam de reparar – “Mas como é bela essa moça! Será que devo perguntar seu nome? Talvez um passeio, um sorvete? Mas que bobo sou eu, com esse corpo ela não deve comer nada que contenha glúten e afins... Opa! Recomponha-se ela está terminando de beber”. Pode beber, ela diz. Você engole o medo e arregala a coragem, mal consegue escutar o que sua boca pronunciou e, finalmente, o sim. Curioso como todas as mulheres que amei, conheci em locais dos mais diversos, dos mais estranhos e com seu pequeno teor de fantasia, fetiche. Não adianta planejar o amor, é uma guerra perdida – dica de profissional. Deixe o trem seguir o rumo, o navio desancorar e quando menos esperar terá ao seu lado, alguém para amar. Nada de aguardos ou anseios, mesmo aqueles do tipo corriqueiros. Afinal, amar não é plano ou garantia, mas é a sensação inesperada de sentir um pedaço de você faltando, no momento certo em que a troca de olhares passa a ser uma troca de almas.

Para bom entendedor, meia palavra basta. Mas para aqueles que precisam de um empurrãozinho a mais, continuo a explicar – sem ressentimentos. "Mergulhar de olhos abertos", isso é amar. Saltar em um lago sem saber a sua profundidade e o que há dentro dele, guardando dentro de si a sensação de que não será nada mais do que um mergulho perfeito e dos mais refrescantes. O amor não é eterno (só enquanto durar), tão pouco é perfeito, mas amar é uma iguaria deliciosa de sabor único – daqueles de prolongar a mastigação e lamber os dedos. Alguns amigos já me diziam que homens e mulheres têm uma coisa em comum, o repúdio e a indignação ao sexo oposto e a necessidade de estar e amar o sexo oposto.

São tantos os tipos de amor para se amar – quem disse que eu estou certo? Tantas amantes para se tentar – ambigüidade proposital – e muito pouco tempo para esperar. Amar é viver com um sorriso besta estampado no rosto, sem saber o porquê – sem nem querer saber.

2 comentários:

Igor disse...

deleting this website from my bookmarks...like now!

O AMOR É UM SENTIMENTO BURGUÊS....CASAIS EXISTEM PARA SUPRIR UM AS NECESSIDADES DO OUTRO E NADA MAIS!

Igor disse...

é gus, vc é um pequeno-burguês e esse último texto é algo típico de um drama pequeno-burguÊs