24.4.10

_ dor com a qual tenho que conviver

tudo que eu queria era uma casinha pra guardar
meus sonhos e os seus, seus erros e os meus
mas estamos muito longe, nem tão equidistantes
e ainda vai piorar, a dor não vai passar

e os dias são mais longos e tediosos,
pois você não está aqui, aonde devia estar
mesmo que eu entenda é a cabeça quem não deixa,
descansar de você, de 'você e eu'

só que essa é uma dor com a qual tenho que conviver
sua ausência me mata, sua falta me amarga
só que essa é uma fase com a qual tenho que aprender

talvez a leitura me ajude, se os livros tomassem
alguma atitude em relação a nós, para mim e para vós
quanto mais remédio eu peço mais eu tenho é tédio
de não estar ao seu lado, sempre encurralado, solitário

só que essa é uma dor com a qual tenho que conviver
sua ausência me mata, sua falta me amarga
só que essa é uma fase com a qual tenho que aprender

13.4.10

_ Reclamação

Como tem gente que gosta de reclamar. Não me entenda mal, pois acredito na reclamação como a atitude precursora das mudanças, do início do pensamento livre. Mas tem gente que gosta de reclamar sem motivo, razão ou circunstância. Hora passa e sempre tem um sujeito no pé do seu ouvido reclamando sem parar, informando-lhe de como a vida dele é dura e o quanto ele precisou - e ainda precisa - lutar para chegar onde chegou. A minha inocência filosófica começa neste ponto, afinal quem luta demais para chegar em algum lugar onde tudo que consegue tirar de proveito é a reclamação, não deve ter dado tanto duro assim. Mas somos todos seres de bom coração e abertos a novas experiências que possam testar a nossa paciência tão falha, de fato. A língua de um reclamão é áspera e longa. Nem sempre alongada de dentro para fora, mas definitivamente a metragem interna da mesma deve ser grande o suficiente para que a língua nasça bem próximo do cólon, explicando assim a sua aspereza - e odor. Os reclamões agem de forma muito parecida, por mais que suas vidas e histórias sejam extremamente diferentes. A principal, sem dúvida, é que quanto mais eles falam, mais eles tem pra falar. Outra é a total certeza das coisas que fala, como se possuísse, de alguma forma, um conhecimento que vai além da naturalidade de uma criança, ou da longevidade cultural de um senhor de idade. Apenas a vontade de contar detalhes pessoais e desnecessários para qualquer ser alheio a sua própria vida já é, nitidamente, um meio de chamar a atenção para si. E é seguindo esse pensamento - reclamão de minha parte - que devemos entender as pessoas que reclamam demais em dois grupos extremamente separados: Aqueles que querem melhorias e aqueles que querem melhorar.

1.4.10

_ desconstruindo o presente, reformulando o passado e outros contos na mesma poesia

Quem tem que acabar
nunca vai começar
algo que possa vir
a terminar assim

encanaram no poder
mas não sabem porque
falam tanto na TV
prometeram só por prometer

Caso com caos só pra poder causar
o mínimo de medo pra se modificar
metamorfose de uma metáfora
que nos dá razão de chorar
por um novo amanhecer
que há de desabrochar!

o melhor é relembrar
tudo que o passado não terminou
pela ânsia que sobrou
de mudar, de recomeçar

"É pau, é pedra, é o fim(...)"
do início.

31.3.10

_ não vi, mas verei


Sentado e largado no fundo da sala
eu reclamava em silêncio
a ausência de massa cefálica do professor
que não escondia de ninguém o seu ego
o seu ego superior

Eu cuspi em mais escadas que lembro
pois andei em mais lugares que sei
vivenciei experiências sem testes
injetei tudo o que me negavam
e repudiei ajudas como fezes

Sem nunca pedir, recebi
Sem nunca viver, vivi
Em tudo aquilo que quis
por meios que nunca vi

Resolvi e me formei sem graduação
caminhei sem rumos para nunca chegar
mas cheguei em mais mares que você
e ninguém nunca vai imaginar o amor
que tantas vezes me fez parar no inferno
para contar as gotas de suor no calor

E talvez, só talvez,
talvez, e talvez
Eu venha enxergar o mundo
pela primeira vez.