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24.4.10

_ dor com a qual tenho que conviver

tudo que eu queria era uma casinha pra guardar
meus sonhos e os seus, seus erros e os meus
mas estamos muito longe, nem tão equidistantes
e ainda vai piorar, a dor não vai passar

e os dias são mais longos e tediosos,
pois você não está aqui, aonde devia estar
mesmo que eu entenda é a cabeça quem não deixa,
descansar de você, de 'você e eu'

só que essa é uma dor com a qual tenho que conviver
sua ausência me mata, sua falta me amarga
só que essa é uma fase com a qual tenho que aprender

talvez a leitura me ajude, se os livros tomassem
alguma atitude em relação a nós, para mim e para vós
quanto mais remédio eu peço mais eu tenho é tédio
de não estar ao seu lado, sempre encurralado, solitário

só que essa é uma dor com a qual tenho que conviver
sua ausência me mata, sua falta me amarga
só que essa é uma fase com a qual tenho que aprender

27.1.10

_ escuta-me

hoje...
senti falta das brigas
falta dos problemas difíceis
senti mais que sentia
saudade de tudo da vida

queria tanto você
queria tanto o que fosse de ter
uma encrenca pra acalmar
as emoções

hoje...
queria aquela briga
caçar mais problemas na vida
ouvir mais do que queria
e sofrer todo dia

por ser por você
por ser pelo que tem de ser
um amor pra recomeçar
as comoções

não tá fácil
não tá legal
quando é que vou escutar
o telefone a tocar?

acaba logo
acaba cedo
me diz que foi sonho
é o meu desejo

13.12.09

_ viajo porque preciso, volto porque te amo

o aeroporto estava lotado de pessoas
mas para mim eramos só eu e você

de todas as marcas em meu corpo
seu nome eu tatuei no coração

nos beijamos antes de dizer adeus
sorrimos, mas sorrimos aos prantos

e ainda ouço aquelas palavras:
viajo porque preciso, volto porque te amo

ao menos é até logo e não adeus
mas meus braços vazios permanecem frios

nos beijamos antes de dizer 'te amo'
choramos, mas choramos aos risos

e ainda ouço aquelas palavras:
viajo porque preciso, volto porque te amo

e eu estarei aqui, esperando, repetindo:
volte logo, porque eu também te amo

2.10.09

_ doente

tenho uma doença
que não quero carregar
tentei, fiz tudo o que pude
mas não consigo me curar

talvez seja uma maldição
com a qual eu nasci
me leva a auto-destruição
e quase morri

mas preciso da cura
pra ter o seu amor
e se eu não me curar
não vou mais suportar

fiz tudo errado
tudo do avesso
quis ser amado
desde o começo

mas preciso da cura
pra ter o seu amor
e se eu não me curar
onde irei parar?

26.9.09

_ felicidade infeliz

É triste quando a felicidade te torna infeliz.
Como ganhar um pequeno cavalo de Tróia
do fundo do coração de alguém.
Uma história que começa com o final infeliz
e termina sem saber-se pra onde vai
– mesmo que óbvio.

_ tenho soluções, mas não as quero

O bom humor faz de tudo tolerável
mas a tristeza é quem impera por aqui
Um sorriso resolveria meus problemas
se eu tivesse alguma motivação

O padrão de beleza é inventado
mas os olhares mostram o contrário
Um abraço mudaria tudo pra melhor
se eu tivesse quem abraçar

O esforço é uma atitude bem forçada
mas os chefes gostam dessa jogada
Um elogio ajudaria a me aprimorar
se eu tivesse vontade de ganhar

21.7.09

_ mudanças

Hoje eu busquei um copo de uísque,
mas os motivos foram outros
Não tenho razão pra festejar,
são problemas que eu gostaria de esquecer

Problemas que nem sei se existem,
coisas que incomodam os sentimentos
E como são eles os incomodados
temo que eles acabem se retirando

Talvez nem tenha o direito de estranhar,
mas é que, de repente, tudo está diferente
Sei que nada permanece o mesmo,
o que me assusta, por temer mudanças

Olho para o telefone e quero perguntar
se esses sentimentos tem algum fundamento
Só que desisto de ir atrás de você,
com medo de tornar o inexistente existente

Nós dois eramos diferentes, no agir
Eram abraços apertados e cheios de nós
Hoje o silêncio interpela e incomoda,
não mais complementa a situação

E, olhando para o fundo do copo, lembro-me
minha tristeza vai me consumir eternamente
criando empecilhos e destacando as erupções.
De um coração perdido para um amor que (talvez) mudou

28.4.09

_pelos olhos de quem não vê

(pelos olhos de quem não vê)
surgem os piores julgamentos
as mais absurdas conclusões
e os estranhos pensamentos
sobre tudo que não foi visto

(pelos olhos de quem não vê)
criam-se os pensamentos
declararam a guerra dos egos
e os caminhos escolhidos
não podem ser descaminhados

(pelos olhos de quem não vê)
fui julgado e condenado
vou sofrer as conseqüências
e mesmo sabendo da injustiça
caminho de cabeça erguida

(pelos olhos de quem não vê)
eu sou a imagem do erro
a prole deixada para trás
o único que disse a verdade
vista por olhos abertos demais

22.4.09

_semblante do suicídio

Voltou a assombrar-me
Aquele pensamento nu
Despido de rodeios
Uma cria de Belzebu

Alimentou minha insônia
E desperdiçou meu dia
Ocupou-me com o vazio
Para tornar-me moradia

Escondeu meu sorriso
Por trás de olhos secos
Afastou meus amigos
Livrou-me do que necessito

Agora sim, sou todo seu
Conclusão óbvia e definitiva:
Fim de uma vida triste e vazia
E o livramento da agonia

_águas rasas


Quando resolvo tomar um café é só

Não existem metáforas ou ilusões
Fique claro que sou o que os olhos vêem
Sem códigos ou obstáculos presentes

Afinal, o que tanto procura?
Isso é tudo que posso oferecer
Não dá para cavar mais fundo
Apenas isso para se conhecer

E mesmo se houvesse um baú
No fim da estrada larga e deserta
Estaria trancafiado a sete chaves
E camuflado por histórias diversas

Nele estão guardados meus sonhos
Aqueles que cansei de contar a você
Dos quais nunca me permitiu vivenciar
Sequer um suspiro de esperança

Posso estar mentindo mais uma vez
Dissimulando, enquanto manipulo a situação
Mesmo assim é melhor que não mergulhe
E poupe a cabeça da dor realista

13.4.09

_seleção natural ou a sobrevivência dos mais adequados

tava tudo bem
até você chegar
eu, meu teclado
e o papo pro ar

te nomearam 'tão'
se disse 'meio'
eu pedi que 'não',
mas fiquei no serão

digitei palavras
de poucas gostei
levou o crédito
e não me liguei

aplauso doido
arrebentou meu ouvido
de tanto segurar
desenfreio no falar

não existia o ócio
meu devaneio era profissional
pediram-me para ser dócil
tento ser racional

só esqueceram de
dizer-me o essencial
carteira é assinada
por seleção natural

sangue novo necessário?
não sou em nada quadrado
tento apenas sobreviver
como um dos mais adequados

29.1.09

_forgive me, for I have sinned

living and letting die
psycology of stupidity and lies
I've become what I most hate
started playin' with others' fate

took the only jewel we all are born with
put it on fire and it burned
made myself a monster by wondering "if"
turned my face away from the things I've learned

for the sense of taste and pleasure
I made a thousand families cry and suffer
yes I'm wrong and for that I apply the closure
filled with shame and pain, so I wander

please bring me the serenity and clarity of mind back
for my actions I mourn with my soul covered in black
I don't wanna take another animal's life again
these are words of desperation, lines of prayer. Amem.