10.12.08

_Seien Sie mein nur, für immer!

Der Ton der Rosen und des Geruchs des Winds, laufend nach der Oberfläche meiner Haut.
Verwundet durch die Sünden habe ich in der Vergangenheit festgelegt, aber hoffend, einen Ausweg heute zu finden.
So hat meine Zukunft eine Geschichte, zum zu sagen.
Können Sie die Wörter lesen, die ich hier spreche?
Können Sie das sein, zum zu gehen dieser Weg mit mir?
Schwärzung ist mein Freund, meine geliebte Braut.
Gehen Sie nicht weg von ihr, lassen Sie sie Sie umfassen und Ihre Seele eintragen.
Lassen Sie die salzigen Risse, die auf ihren Selbst trocken sind.
Verbreiten Sie Ihre Flügel und fallen Sie in den Ozean von Träumen.
Seien Sie mein nur, für immer!



[tradução nos comentários]

9.12.08

_começa o fim, mais uma vez

Começa o fim, mais uma vez - fim infinito, fim sem final
Os raios de sol escondidos por trás de nuvens negras
O trovejar dos gritos dos anjos - morrendo, sangrando
Ecoam no vácuo que existe dentro de mim
Não mais corro atrás de você, não mais
Sonhos e desejos tornaram-se pesadelos indecentes e obscenos
Obscuridade proeminente dentro de meu coração
Resgate orgulhoso de uma alma vendida ao próprio cão
Maldito anjo caído que tomou-me sob suas asas de amor e ilusão
Reneguei minhas raízes, deixei tudo para trás
Apodreci por dentro e me tornei oco como uma árvore podre
Caí sobre minhas próprias expectativas, deparei-me comigo mesmo
Encarei de frente um mau que residia dentro de mim - adormecido
Uma besta inescrupulosa e vil, sedenta por sangue e lágrimas
Corroendo as minhas entranhas e sucumbindo-me a uma dor indescritível
É o fim
Mais uma vez é o fim
Clamo aos demônios perturbadores, aos seres pútridos da terra
Que ao fechar os olhos, a imagem maldita de um novo dia não venha me assombrar
Mais uma vez
Em mais um fim

4.12.08

_do fundo do oceano

Tantas histórias, passagens, para contar. Fábulas perdidas em mares nunca d’antes navegados – faltam-me palavras próprias que enxuguem meus olhos e acalmem minha euforia nostálgica. Lutas, derrotas, fatos – mentiras (, talvez).

Frases prontas, formadas, tornam-se velhas amigas e (certo tipo de) autoflagelação – sob o olhar distante da minha insegurança. Todavia, ao recordar-me do passado tenho em mente os anjos – querubins astutos e desocupados – que sobrevoavam com imponência os meus caminhos, minhas escolhas – alheios aos meus passos, observavam apenas o caminho. Velho e doente me tornei por causa deles, meninos alados que não são meninos, nem meninas – porque haveriam de “ser”? - que teimavam em opinar nos caminhos que escolhi percorrer. Trouxeram, para mim, angústia e desolação – solidão. Abatido eu me tornei e os cruéis seres das sombras sabiam o que fazer. Monstros cruéis e escarnecedores, mutiladores desprezíveis dos sonhos que não me lembro mais – demônios. Cantarolando cânticos profanos, atormentando minh’alma doente.

Diante do absurdo da minha consciência espiritualista e senil, o céu continua azul.

E o mar? Inúmeras vezes eu tentei sair do mar, mas o mar nunca quis sair de mim. Ele permanece eterno sobrevoando a imensidão de um mundo submerso, desconhecido – até mesmo para este velho lobo do mar. O toque suave da marola e a violenta tempestade abatendo os corações de mães viúvas e filhos órfãos. O mar tende a me fazer perder o fôlego e a razão, me faz fugir do assunto e delatar todos os seus atos majestosos sobre a terra.
Quantos tesouros estarão escondidos? Quantos homens foram em busca do brilho de pedras preciosas e não voltaram mais? Assim trouxeram a discórdia e a desilusão de uma paisagem tão falsa, tão irreal. São pobres diabos, porque não haveriam de ser? Lançam aos tubarões tudo aquilo que têm, em busca de esperança – do tipo que se compra. São aventureiros de corações solitários. Lembro-me de um marinheiro – amigo antigo, foi-se o tempo – que dizia: Ser só e ser solitário são coisas completamente opostas. Posso muito bem estar sozinho, mas não me sentir solitário.

“Terra à vista!”

Malditos sejam os gajeiros e seus olhos de águia – vêem com eficácia terras e barcos a milhas de distância. Mas minha realidade é outra. Enganei-me todas as vezes que ouvia os gritos do cesto de Gávea. Procurava refresco, um pedaço de terra – nem que uma ilha – para deitar a cabeça e descansar os pés sem sentir a leve e discreta maré nauseante, mas só encontrava mais motivos para suspirar de desgosto. Nasci homem do mar, filho de homem do mar e por isso me faltam tantas cousas, principalmente sorte. Nunca conheci um adepto tão crente em sua má sorte, como eu. Pessimismo é para os fracos, eu relato aquilo que tive de viver – relato com sabor azedo e textura áspera.

Pode ter um homem do mar esperanças de encontrar outras histórias para viver? Outras lamúrias para chorar, outras desgraças para murmurar? Terei eu o ombro d’uma outra mulher a se amar? Sozinho, louco e deixado para trás como um animal sentindo o êxito da morte sobre ele, afastando-se da manada para não causar problemas maiores do que eles já têm. Mas você não me via como um problema, não é mesmo?

Infinitas foram, e hão de ser eternamente, as vezes que me ajoelhei perante os deuses para implorar que trouxessem você de volta a mim. Porém são deuses a quem eu rogo, e deuses são assim, omissos. Na embriaguês do poder e da glória, se esquecem dos homens que nada têm a ofertar em troca de seus benditos milagres – nada têm, por nada possuírem. Cansei-me de esperar por um anjo que venha do céu, foram-se os malditos querubins e nunca mais voltaram para partilhar de minhas caminhadas, meus caminhos. Eu amaldiçôo todo o céu e todo o mar! Sua virtude divina e esplendorosa arrancou de mim o coração, jogou-me ao longe para morrer. Mas do que adianta, se você não voltará mais para mim?

Foram tantos os momentos alheios, acontecimentos adentrando em nossas vidas, que me esqueci de olhar em teus olhos e beijar-te ante todos nossos encontros e desencontros. Fugiu-me a lembrança de que você estava ali, ao meu lado, esperando por um dia melhor. Perdi teu abraço, e choro por não ter teu beijo. Passou o tempo, passou o mundo, mas ficou a dor. O ranger do abrir da porta da frente, a escuridão da sala e o silêncio que confirmava a sua ida sem volta. Pregaram-me essa peça, o mar e a sorte, juntos. Não posso ter sido o culpado, não posso acreditar que fora eu quem fez você me largar. Será?

Como anseio em te encontrar – dizer que te amo. Mas como dizer se não sei mais o que é amar. Nem ao menos sei se estou deitado na rede de descanso ou na rede de malha fina que me fisgou.

Adeus.

1.12.08

_ensaio sobre o "amar"

Amar não é algo que você decide, – não se espantem a toa – que escolhe de uma hora para outra. Há enganos, não posso negar, aliás como começar a amar se não por mero acaso? Um dia no parque, sol do meio dia, meninada no playground, as babás e as mães observando ao longe para não estragar a brincadeira. Você levanta do banco, caminha até um bebedouro para refrescar os pensamentos e pronto! Dá de cara com uma moça que pensou a mesma coisa que você, naquele mesmo momento, naquele mesmo bebedouro. O gaguejar dos dois desconhecidos, o cavalheirismo de sua parte e o sorriso de satisfação da moça. Enquanto sua mais nova colega de sede mata quem a estava matando, os teus olhos não deixam de reparar – “Mas como é bela essa moça! Será que devo perguntar seu nome? Talvez um passeio, um sorvete? Mas que bobo sou eu, com esse corpo ela não deve comer nada que contenha glúten e afins... Opa! Recomponha-se ela está terminando de beber”. Pode beber, ela diz. Você engole o medo e arregala a coragem, mal consegue escutar o que sua boca pronunciou e, finalmente, o sim. Curioso como todas as mulheres que amei, conheci em locais dos mais diversos, dos mais estranhos e com seu pequeno teor de fantasia, fetiche. Não adianta planejar o amor, é uma guerra perdida – dica de profissional. Deixe o trem seguir o rumo, o navio desancorar e quando menos esperar terá ao seu lado, alguém para amar. Nada de aguardos ou anseios, mesmo aqueles do tipo corriqueiros. Afinal, amar não é plano ou garantia, mas é a sensação inesperada de sentir um pedaço de você faltando, no momento certo em que a troca de olhares passa a ser uma troca de almas.

Para bom entendedor, meia palavra basta. Mas para aqueles que precisam de um empurrãozinho a mais, continuo a explicar – sem ressentimentos. "Mergulhar de olhos abertos", isso é amar. Saltar em um lago sem saber a sua profundidade e o que há dentro dele, guardando dentro de si a sensação de que não será nada mais do que um mergulho perfeito e dos mais refrescantes. O amor não é eterno (só enquanto durar), tão pouco é perfeito, mas amar é uma iguaria deliciosa de sabor único – daqueles de prolongar a mastigação e lamber os dedos. Alguns amigos já me diziam que homens e mulheres têm uma coisa em comum, o repúdio e a indignação ao sexo oposto e a necessidade de estar e amar o sexo oposto.

São tantos os tipos de amor para se amar – quem disse que eu estou certo? Tantas amantes para se tentar – ambigüidade proposital – e muito pouco tempo para esperar. Amar é viver com um sorriso besta estampado no rosto, sem saber o porquê – sem nem querer saber.