Mostrando postagens com marcador ensaios. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador ensaios. Mostrar todas as postagens

26.9.09

_ coisa, é! [parceria com Bruna Escaleira]

É coisa!
Homogênea...
Tipo uma receita
sem gosto de início
Já do meio (metade).
Pulularam os sentidos
de cantos escondidos
não sentiram-se excluídos
nem um pouco de saudade

Deveras, é coisa!
Simplesmente coisa...
Daquelas heterogêneas
mais contraditórias
que não tem receita pra ditar,
nem partitura pra ensaiar.
É coisa só por ser
e mesmo sem saber:
É e só há de ser

Um botão,
talvez...
Que tecla cada tecla já teclada,
sem definição.
Não furta sentidos, intensifica
essa complicação
Fora a briga da vizinha
que não liga pro não.
Será que é mais confusão?
Ou uma tecla sem função?

Desfeita
ou rarefeita...
Pequena ilusão de bolso.
Em busca de uma cilada,
cai de queda gargalha
sobre almofada arrumada.
Coisa caos, desfeita na feitura
d'um fazedor disfarçado.

1.12.08

_ensaio sobre o "amar"

Amar não é algo que você decide, – não se espantem a toa – que escolhe de uma hora para outra. Há enganos, não posso negar, aliás como começar a amar se não por mero acaso? Um dia no parque, sol do meio dia, meninada no playground, as babás e as mães observando ao longe para não estragar a brincadeira. Você levanta do banco, caminha até um bebedouro para refrescar os pensamentos e pronto! Dá de cara com uma moça que pensou a mesma coisa que você, naquele mesmo momento, naquele mesmo bebedouro. O gaguejar dos dois desconhecidos, o cavalheirismo de sua parte e o sorriso de satisfação da moça. Enquanto sua mais nova colega de sede mata quem a estava matando, os teus olhos não deixam de reparar – “Mas como é bela essa moça! Será que devo perguntar seu nome? Talvez um passeio, um sorvete? Mas que bobo sou eu, com esse corpo ela não deve comer nada que contenha glúten e afins... Opa! Recomponha-se ela está terminando de beber”. Pode beber, ela diz. Você engole o medo e arregala a coragem, mal consegue escutar o que sua boca pronunciou e, finalmente, o sim. Curioso como todas as mulheres que amei, conheci em locais dos mais diversos, dos mais estranhos e com seu pequeno teor de fantasia, fetiche. Não adianta planejar o amor, é uma guerra perdida – dica de profissional. Deixe o trem seguir o rumo, o navio desancorar e quando menos esperar terá ao seu lado, alguém para amar. Nada de aguardos ou anseios, mesmo aqueles do tipo corriqueiros. Afinal, amar não é plano ou garantia, mas é a sensação inesperada de sentir um pedaço de você faltando, no momento certo em que a troca de olhares passa a ser uma troca de almas.

Para bom entendedor, meia palavra basta. Mas para aqueles que precisam de um empurrãozinho a mais, continuo a explicar – sem ressentimentos. "Mergulhar de olhos abertos", isso é amar. Saltar em um lago sem saber a sua profundidade e o que há dentro dele, guardando dentro de si a sensação de que não será nada mais do que um mergulho perfeito e dos mais refrescantes. O amor não é eterno (só enquanto durar), tão pouco é perfeito, mas amar é uma iguaria deliciosa de sabor único – daqueles de prolongar a mastigação e lamber os dedos. Alguns amigos já me diziam que homens e mulheres têm uma coisa em comum, o repúdio e a indignação ao sexo oposto e a necessidade de estar e amar o sexo oposto.

São tantos os tipos de amor para se amar – quem disse que eu estou certo? Tantas amantes para se tentar – ambigüidade proposital – e muito pouco tempo para esperar. Amar é viver com um sorriso besta estampado no rosto, sem saber o porquê – sem nem querer saber.