O brasileiro é o povo mais comentado de todo o mundo, tratando-o de maneira internacional, é claro. Afinal, onde o brasileiro menos importa é aqui no Brasil. Vejamos os politicos que mais viajam do que tentam cumprir as suas promessas tão belas e mirabolantes feitas a tanto tempo - aparentemente esquecido - , deixando todos para trás. Mas o povo brasileiro é realmente tão belo assim? Não seria essa mania de dizer que o brasileiro é bondoso e receptivo uma mania utópicamente incorreta?
Sei que muitos vão discordar e dizer que não tem nada mais belo que o Brasil, mas com isso eu concordo. O que eu não consigo engolir com facilidade é a máscara que criaram em cima de um povo que deveria ser considerado perigoso, afinal fomos nós - ou, no máximo, nossos antepassados - que destruimos nossas florestas, que queimamos índios na praça, que matamos uns aos outros por valores menores a cinquenta reais e continuamos votando nos mesmos ladrões que ficam no senado. E só para lembrar: também são brasileiros.
Hoje mesmo tive alguns exemplos ótimos de como o brasileiro pode ser insuportável. Essa tarde, enquanto não passava nada na programação da TV aberta como é de costume, o interfone tocou e eu estranhei, afinal não havia pedido nada e não aguardava ninguém. Levantei-me e ao atender fiquei abismado com o pedido que o zelador veio me fazer. Depois de certificar-se de que era eu mesmo o morador com quem ele queria falar, me perguntou do que se tratavam as bandeiras coloridas que tenho pendurada na minha varanda. Sem pensar em nada disse que eram expressões da minha religião (na verdade , filosofia) e nisso a resposta dele foi simples: 'o senhor não pode pendurar coisas assim na sacada, dentro de casa pode, mas alí não'. Sim, eu fiquei revoltado pela repressão religiosa e ideológica que reside aqui neste prédio junto comigo, porém achei que seria desnecessário me revoltar com um funcionário que só estava seguindo ordens de um superior. Pior foi ao olhar para a TV e ver um grupo de funkeiras rebolando na televisão, com roupas curtinhas às quatro horas da tarde. Nada contra a expressão musical e de dança que é o funk, mas não pude deixar de pensar na hipocrisia que estava pairando no ar.
Me acalmei e resolvi retirar as bandeiras, mas é óbvio que ainda vou reaver os meus direitos como cidadão, mas isso já é outra história. Agora a pouco recebi uma ligação de uma agência bancária avisando que o meu financiamento foi aceito e o carnê chegaria em até dez dias. Acreditando que era tudo me despedi educadamente da moça, mas antes que pudesse desligar ela começa a falar sem parar. Era promoção disso, promoção daquilo, prêmio aqui e acolá. Com a mesma educação eu disse que não me intressava, mas de nada adiantou. A mulher desenfreou a lingua e não parava de tentar, frustradamente, enfiar a idéia guela a baixo em mim. Estressei-me, com toda a razão. Pedi para ela pegar o prêmio para ela se fosse assim tão bom e que me deixasse em paz, afinal o que tinhamos que conversar já fora conversado.
Bom, isso é só um exemplo do que acontece na vida de todo brasileiro e brasileira. Mas nem por ter sido a vítima hoje, me livro de vitimar alguém amanhã. Afinal está nos nossos genes destruir tudo o que temos pelo simples fato de querer mais atenção, mais dinheiro ou mais oportunidades que o vizinho tem.
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25.9.09
31.8.09
_ louco
Tive minhas maneiras de tentar explicar algumas coisas, até mesmo as já explicadas. O mundo pra mim é desfeito. É tela em branco, esperando para ser consagrada com o toque de um pincel de cerdas banhadas em vermelho sangue ou um verde floresta, vivo. E todas as vezes fui na contra mão, meramente por afeição. Tanta gente dizendo que quero ser, mas nem elas sabem quem são. Nem eu sei de mim, mas sei do que gosto e o que quero. Não tento ser, sou; por mais que queira que eu tente, não posso; só sou o que sou por não tentar. Talvez se olhasse mais para dentro de si, eu seria normal - ou, então, mais louco ainda. Não me interessa na verdade. A sua tal loucura, que é toda sua, é sanidade minha. E pra que há mais de se tentar mudar a constante mutável? Gosta de ser uma pedra, que tenha gosto de tal, mas eu sou surpresa e tenho gosto de tal. Sou feliz por ser o seu louco e é como eu vim a nascer. Os loucos são outros que são os mesmos, enrolados na própria monotonia da mesmice de suas supostas vidas completas. Louco é, louco sou. E por mais louco que isso possa parecer, o azar, sem dúvida alguma, é só seu. Viva sua normalidade como puder.
23.6.09
_ Jesus de Santa Maria
Santa era Maria, mãe de Jesus. Um menino pobre, de feições estranhas ao seu local de nascimento. Era menino negro em meio a um montarel de brancos. Santa Maria era de uma beleza senil e africana única, mas José, o pai, era branco como os demais e de olhos que pareciam espelhos refletindo a imensidão azul dos céus. Jesus era rejeitado, odiado e humilhado todos os dias de sua vida. Passou a negar sua própria alma, suas raízes - que não estavam mais fincadas naquele chão. Chegou a rejeitar seu parentesco santo com Maria, a mãe velha e negra. Pobre da mãe do pobre filho. Se bem que este nem mais filho era, a não ser de Deus.
8.6.09
_ tempo destemporado
No gramado se escondem as pequenas coisas que tanto buscamos. Uma viagem a um mundo desconhecido e ainda virgem, mesmo se antes fora desbravado, agora é novo, por ser diferente - neste momento. A grama tem dessas coisas, nos leva a interpretar os nossos sonhos de maneiras diferentes, visualizar um novo meio em um caminho já percorrido. É na grama que paramos para admirar as belezas do mundo, mas o mais importante é que é na grama que paramos. Parar, nos dias de hoje, é luxo para poucos. Desistir de olhar os ponteiros do relógio que giram sem parar, sem sentido algum e sem naturalismo - aplicar tempo estável ao tempo-puro, essa é a maior prova de que o homem é um ser manipulador sem escrúpulos - é quase um ato de intervenção divina. Tempo. Todo tempo tem hora. É hora de acordar e hora de dormir, hora de comer e hora de trabalhar, hora de orar e hora de matar. Cansado? Não tenho tempo pra isso, olha a hora! Nessa montanha-russa com ponteiros em movimento constante, a alavanca para brecar está nas mãos de quem?
Aquele que gira sem parar na cronológica montanha não pode enxergar o condutor, mas quem detiver o controle mental de si pode ver que o breque está em suas próprias mãos. Mãos comuns, suadas e calejadas do trabalho duro - ás vezes, do mais leve. Já foi dito: 'A voz do povo é a voz de deus', pois deus é o sistema que diz o que deve - e como deve - ser feito, dando a ilusão democrática de que alguém além dele possa decidir algo de tamanha importância comum. O sistema sabe que somos, cada um, seres com diferentes razões sociais e cores de camisetas únicas em cada tom de pele - já que pele, para mim, não define raça - e por isso trata-nos de maneira individual com o todo. 'Você, meu caro amigo, vote em mim': será que ele quer mesmo o seu voto, ou o voto de um conjunto de indivíduos, que foram transformados, tão forçadamente, em um grupo, o dos votantes. Mas isto é apenas um exemplo para a parte teórica a ser explicada.
São poucos aqueles que percebem que uma sociedade não tem direitos sobre a individualidade. Ser um individuo não é ser egoísta, mas sim ser alguém de força própria e única que poderá ser exemplo ou meio para um todo. Foram indivíduos que decidiram ser um alguém - seja lá o que isso for - , por si só, em nome da humanidade. Mesmo os movimentos anarquistas têm disso, afinal alguém que fala mais alto, que chama mais atenção ou que inspira maior número de 'fiéis', torná-se, por vontade própria ou não, um líder. Eu chamo isso de teoria do pastoreio. Onde é necessário a existência de um líder, ou pseudo-líder, que lidere as ovelhas de maneira livre, pseudo-livre ou aprisionadas - mas sempre cegamente. Na montanha-russa cronológica existem lugares reservados para aqueles que tomam a teoria do pastoreio como sua meta de vida, a qual consiste em formar a maior frente de vidas desprovidas de um futuro brilhante, para que morram em nome da vontade única de um único líder, que é descer da vida giratória e ser livre - ou seja, parar.
Assim nascem os tiranos, de sonhos belos e paradisíacos, cheios de boas intenções - o inferno ainda está cheio - e sedentos por atenção e carinhos. O problema de querer o bem, é que tudo na vida tem um ponto de vista. Eu gosto do ponto de vista do gramado, onde o céu inspira aqueles pensamentos que nem sabíamos e o sussurro da vida ao redor trás para dentro de você um pouco de esperança. Mas como eu não sou deus - muito menos o sistema -, não penso em formular uma teoria prática de como chegarmos ao paraíso, não sou tão prepotente. Afinal, a beleza está em tudo, depende apenas dos olhos de quem vê.
Enfim, parar é viver - sim, é! - um tempo impossível de se cronometrar, pois é parando (ou parados) que analisamos o mundo a nossa volta e o mundo dentro de nós. Como parar? Deite na grama, observe as formigas, seja você mesmo dentro de si próprio. Respire vida, respire fora de sincronia, respire como quiser respirar - se quiser, nem respire, mas não vá se matar... a morte é uma parada muito brusca, não leva a lugar algum. Seja um em tudo e veja o todo ser alguém, mas se tentar ser tudo em um, verá a desgraça do um acabar como ninguém - e o pior, sem tempo pra nada!
Aquele que gira sem parar na cronológica montanha não pode enxergar o condutor, mas quem detiver o controle mental de si pode ver que o breque está em suas próprias mãos. Mãos comuns, suadas e calejadas do trabalho duro - ás vezes, do mais leve. Já foi dito: 'A voz do povo é a voz de deus', pois deus é o sistema que diz o que deve - e como deve - ser feito, dando a ilusão democrática de que alguém além dele possa decidir algo de tamanha importância comum. O sistema sabe que somos, cada um, seres com diferentes razões sociais e cores de camisetas únicas em cada tom de pele - já que pele, para mim, não define raça - e por isso trata-nos de maneira individual com o todo. 'Você, meu caro amigo, vote em mim': será que ele quer mesmo o seu voto, ou o voto de um conjunto de indivíduos, que foram transformados, tão forçadamente, em um grupo, o dos votantes. Mas isto é apenas um exemplo para a parte teórica a ser explicada.
São poucos aqueles que percebem que uma sociedade não tem direitos sobre a individualidade. Ser um individuo não é ser egoísta, mas sim ser alguém de força própria e única que poderá ser exemplo ou meio para um todo. Foram indivíduos que decidiram ser um alguém - seja lá o que isso for - , por si só, em nome da humanidade. Mesmo os movimentos anarquistas têm disso, afinal alguém que fala mais alto, que chama mais atenção ou que inspira maior número de 'fiéis', torná-se, por vontade própria ou não, um líder. Eu chamo isso de teoria do pastoreio. Onde é necessário a existência de um líder, ou pseudo-líder, que lidere as ovelhas de maneira livre, pseudo-livre ou aprisionadas - mas sempre cegamente. Na montanha-russa cronológica existem lugares reservados para aqueles que tomam a teoria do pastoreio como sua meta de vida, a qual consiste em formar a maior frente de vidas desprovidas de um futuro brilhante, para que morram em nome da vontade única de um único líder, que é descer da vida giratória e ser livre - ou seja, parar.
Assim nascem os tiranos, de sonhos belos e paradisíacos, cheios de boas intenções - o inferno ainda está cheio - e sedentos por atenção e carinhos. O problema de querer o bem, é que tudo na vida tem um ponto de vista. Eu gosto do ponto de vista do gramado, onde o céu inspira aqueles pensamentos que nem sabíamos e o sussurro da vida ao redor trás para dentro de você um pouco de esperança. Mas como eu não sou deus - muito menos o sistema -, não penso em formular uma teoria prática de como chegarmos ao paraíso, não sou tão prepotente. Afinal, a beleza está em tudo, depende apenas dos olhos de quem vê.
Enfim, parar é viver - sim, é! - um tempo impossível de se cronometrar, pois é parando (ou parados) que analisamos o mundo a nossa volta e o mundo dentro de nós. Como parar? Deite na grama, observe as formigas, seja você mesmo dentro de si próprio. Respire vida, respire fora de sincronia, respire como quiser respirar - se quiser, nem respire, mas não vá se matar... a morte é uma parada muito brusca, não leva a lugar algum. Seja um em tudo e veja o todo ser alguém, mas se tentar ser tudo em um, verá a desgraça do um acabar como ninguém - e o pior, sem tempo pra nada!
4.6.09
_ o conto do porco-espinho
Todo porco-espinho é solitário. Nem os parentes conseguem chegar muito perto. Quanto mais abraços querem, mais se espetam uns aos outros - e assim, mais aumenta a saudade. Não que todo porco-espinho seja mal, longe disso! Mas o seu exterior causa medo e repulsa, espantando todos os animais - incluindo os que andam em duas patas - que circulam o habitat do mesmo. Sofredor nato e carente por natureza, todo porco-espinho precisa de carinho, mas por melhores que sejam suas intenções, eles não conseguem se aproximar de ninguém. Rejeição é como a ação, sempre tem uma reação. O isolamento é a preferência nacional na terra desses pequenos mamíferos, mas há aqueles que tentam ser firmes e não arredam pé! Só que estes tornam-se carrancudos e afiados - apenas externamente - como os seus espinhos. Ninguém sabe, ninguém nunca viu, mas todo porco-espinho chora em baixo de um rarefeito rastro de luz lunar, pedindo por um alguém que pudesse estar ao seu lado. Pobre de todo porco-espinho que espera uma resposta dos céus - vazios e gélidos. Será que há esperança para estes porcos que de suínos têm apenas parte de sua graça? Que ser vivente poderia suportar as espetadas dos espinhos, até descobrir que em baixo de toda aquela carcaça rústica reside um animal dócil e necessitado de atenção? Ás vezes, eu mesmo duvido da capacidade de existir alguém de tão bom coração - e sem espinhos brotando de seu corpo. Talvez exista um peixe-palhaço terrestre, que ao invés de brincar e nadar ao redor e dentro dos corais venenosos, dançaria dia e noite com um porco-espinho sortudo. Quem sabe uma borboleta? Sim! Elas são seres quase divinos. Tocam os céus com suas asas, pintando o azul celeste com suas cores distintas - únicas por serem delas e somente delas. As borboletas têm as patas delicadas o suficiente para pousar sobre os espinhos pontiagudos dos felpudos rejeitados. E foi assim, com estas delicadas palhetas aladas, que um porco-espinho pôde descobrir como é bom sentir um abraço - mesmo de patas tão pequeninas. Brincavam sobre as planícies, escondiam-se na mata e corriam pelos campos - todos são belos por serem abertos, menos os elíseos, que de campos me lembram 'concentração'. Mas como a vida é como só ela há de ser, um dia a borboleta decidiu que era hora de partir e. sem mais nem menos. soltou-se do seu espinho preferido e voou para longe. Pobre do porco-espinho, mais uma vez solitário - como a natureza parece desejar que seja. Quais serão os pensamentos deste pequeno? O que sobrou para ele? Pela primeira vez, ele acreditou que existia alguém que não temia ficar ao seu lado. Que besteira a dele acreditar que alguém realmente gostaria de um espinhudo - e ele era, muito. Talvez fosse melhor permanecer como antes: sozinho e de coração vazio. Agora? Agora, sabendo que existe alguém que pode lhe dar amor no mundo, a dor é descomunal. Antes, a solidão doía, mas agora tornava-se insuportável. Ele sabe que as leis da natureza são imutáveis e não lhe é permitido obrigar a borboleta a voltar para si, então o máximo que pode desejar é um bom caminho para sua antiga colega - que se vá em paz. Mas que vá depressa, pois não irá se segurar por muito tempo - quer mudar de idéia, sem dúvida. História sem final feliz aos olhos de quem vê; Conto de fadas como qualquer outro aos olhos de quem vai vivendo; Esperança de, um dia, encontrar a sua própria borboleta. Este é o pensamento daqueles que sentem e vivem seus sentimentos. Nada é eterno, nem o amor, - 'posto que é chama' - pois a lei da natureza é essa, somos recicláveis e assim devem ser nossas histórias e nossos sentimentos. Um dia a borboleta azul vai embora, mas que venha a borboleta vermelha e, senão, venha um novo dia e um novo começo - ponto final não é finalista, no sentido de bloquear a continuidade, é a informação de que um novo começo está por vir (sem ponto final)
27.5.09
_ sementes da meia-leitura
Leituras não terminadas criam aquela falsa noção daquilo que conversamos com tanto gosto. Seja na mesa de um bar, no almoço com o pessoal do trabalho ou com algum(a) companheiro. Se conhecimento é poder e poder não é algo divisível, - de maneira hipotética - então não existe meio-poder - ou meio-conhecimento.
Agora, não é pelo uso da força que fazemos as outras pessoas - e, principalmente, a nós mesmos - perceberem e repararem os 'erros' - entre aspas, pois errar é uma forma muito dúbia de se julgar algo ou alguém - dele ou dela. Mas mesmo com leituras não terminadas, somos seres humanos, daqueles bem terrestres, cheios de vontade e desejos. Temos ânsia pelo depois, pelo por vir e, por ventura, do que nunca virá. A sede por conhecimento persiste em secar a nossa boca cerebral.
Se um dia a semente da meia-leitura foi plantada em alguém, deveríamos aplaudir com entusiasmo e lágrimas - sorridentes - aos olhos. A diferença entre o canalha - governo - e o poeta - apaixonados - é que um se doa, enquanto o outro se dá, respectivamente. Então dê um livro para quem você é apaixonado por, ou de quem é apoetador.
Cavalo dado não se olha os dentes! E o incentivo a leitura não perde ao ser dada, pelo contrário: tudo que se dá de bom - bom de bom e de bem intencionado - a alguém, retorna a você com a forma de satisfação inexplicável. E é dando um presente - lindo! - que a semente da meia-leitura é plantada. Não é uma leitura inteira, mas é um começo.
Nada de forçar a barra com pessoas que não querem iniciar a jornada meio-interessante ou com aqueles que não pretendem evoluir para a jornada completa - sem hífen, pois já é completa por si só. Foi presenteando que a semente foi meio-plantada. Acham que a semente do resto da leitura poderia ser plantada na base da pancadaria? Fácil demais pra ser verdade.
Com um gesto amoroso (e bondoso) alcançamos o impossível! Deveríamos largar o possível de lado e deixá-lo para os que o adoram - pois ciência e nem mesmo a religião (supondo que esta tenha algo a ver com o real possível, o que na verdade não tem) ainda não explicam o que é 'amor' (ainda bem), porque ele é impossível de se explicar. Mas eu estou falando de amor real, de verdade - mesmo! Nada de amour importado ou love cansativo e gasto! É amor! Daqueles que se iniciam revoluções e ações sociais, vontades e soluções; milhares de grandiosos etc's.
Me chamam de louco pelas idéias que nem eu sei muito bem como pensar. Sei lá, talvez eu seja louco - varrido e orgulhoso. Afinal, amor de louco é assim, sem sentido... Mas só pra quem não é louco! Mas quem é louco, afinal? Quem tem sentido ou quem tem sentimento? Não sei.
Enfim, se quer saber - ter noção - do que está falando realmente, pratique a leitura. Nada de meia: a completa!
Agora, não é pelo uso da força que fazemos as outras pessoas - e, principalmente, a nós mesmos - perceberem e repararem os 'erros' - entre aspas, pois errar é uma forma muito dúbia de se julgar algo ou alguém - dele ou dela. Mas mesmo com leituras não terminadas, somos seres humanos, daqueles bem terrestres, cheios de vontade e desejos. Temos ânsia pelo depois, pelo por vir e, por ventura, do que nunca virá. A sede por conhecimento persiste em secar a nossa boca cerebral.
Se um dia a semente da meia-leitura foi plantada em alguém, deveríamos aplaudir com entusiasmo e lágrimas - sorridentes - aos olhos. A diferença entre o canalha - governo - e o poeta - apaixonados - é que um se doa, enquanto o outro se dá, respectivamente. Então dê um livro para quem você é apaixonado por, ou de quem é apoetador.
Cavalo dado não se olha os dentes! E o incentivo a leitura não perde ao ser dada, pelo contrário: tudo que se dá de bom - bom de bom e de bem intencionado - a alguém, retorna a você com a forma de satisfação inexplicável. E é dando um presente - lindo! - que a semente da meia-leitura é plantada. Não é uma leitura inteira, mas é um começo.
Nada de forçar a barra com pessoas que não querem iniciar a jornada meio-interessante ou com aqueles que não pretendem evoluir para a jornada completa - sem hífen, pois já é completa por si só. Foi presenteando que a semente foi meio-plantada. Acham que a semente do resto da leitura poderia ser plantada na base da pancadaria? Fácil demais pra ser verdade.
Com um gesto amoroso (e bondoso) alcançamos o impossível! Deveríamos largar o possível de lado e deixá-lo para os que o adoram - pois ciência e nem mesmo a religião (supondo que esta tenha algo a ver com o real possível, o que na verdade não tem) ainda não explicam o que é 'amor' (ainda bem), porque ele é impossível de se explicar. Mas eu estou falando de amor real, de verdade - mesmo! Nada de amour importado ou love cansativo e gasto! É amor! Daqueles que se iniciam revoluções e ações sociais, vontades e soluções; milhares de grandiosos etc's.
Me chamam de louco pelas idéias que nem eu sei muito bem como pensar. Sei lá, talvez eu seja louco - varrido e orgulhoso. Afinal, amor de louco é assim, sem sentido... Mas só pra quem não é louco! Mas quem é louco, afinal? Quem tem sentido ou quem tem sentimento? Não sei.
Enfim, se quer saber - ter noção - do que está falando realmente, pratique a leitura. Nada de meia: a completa!
25.4.09
_crianças explicadas pelo ódio
Quando dizem que uma criança não pode sentir algo por ser muito nova para entender, os adultos estão afirmando terem esquecidos de suas próprias tristezas e desilusões com suas vidas e com o que o mundo um dia fez para eles. Eles mentem. Talvez com um pouco de compaixão eu consiga concluir que eles estão tão profundamente feridos que preferem negar a eles mesmos a existência de um ser, fruto de um amor, ou apenas sexo, que possa passar ou sentir o mesmo. Mas não é o caso, a compaixão perdeu seu espaço nas minhas palavras e, se tudo der certo, nos meus pensamentos também.
Fora quando crianças que formamos nosso caráter básico. Visualizando o mundo a nossa maneira e suportando tantas regras que nos foram impostas desde que saímos do ventre de nossas mães, ou das provetas geladas. Um pensamento engraçado sempre aflora em minhas lembranças impossíveis de lembrar-me: o tapa da vida. Nascemos apanhando para que possamos receber a vida dentro de nossos pulmões e a razão não poderia ser mais simples, afinal viver é sofrer. Nos arrancam de nosso porto seguro, nos penduram de cabeça para baixo e desvencilham um tapa em nossas nádegas, ainda pálidas, para que o mundo possa ouvir mais um grito de dor e receber outro ser vivo sofredor.
Como eu dizia, as crianças sabem o que se passa ao redor delas, talvez melhor que os adultos. Nós envelhecemos e ficamos caducos, mas as crianças possuem toda a alegria, a juventude e a perspicácia de um detetive profissional. Lembra-se da primeira vez que viu algo pela primeira vez? Eu não lembro o que eram, mas sinto o cheiro das ocasiões e dos sentimentos que exalavam da minha pele. Por exemplo o cheiro de uma bolacha muito conhecida que é coberta por uma espeça camada de chocolate vem até minhas narinas de vez em quando, mas nunca me lembrei da situação. O que isso tem a ver? Esse cheiro sempre me deixou alegre. Não sei que tipo de feitiço ele tem sobre os químicos do meu cérebro, mas ele sempre surte efeito. O cheiro da lembrança.
Agora vamos ás cicatrizes. Quem não lembra da primeira briga dos pais? Do primeiro xingamento sério de um familiar? Do primeiro soco no olho, da primeira lágrima no rosto da mãe, do enterro de um avô, etc? São todos motivos para certas atitudes, fraquezas, disposições e espasmos que temos durante a vida toda. Para afastar os fanáticos religiosos eu tenho uma linha de pensamento que vê o nascimento de uma criança como o único meio que um deus possa se mostrar real perante a sociedade. Sem gente, quem criaria um deus? Até mesmo nossos pais celestes acham que somos ignorantes demais para entender que eles são seres mesquinhos que necessitam de nós para sobreviver. Exato, deuses são nossos servos. Mas isso é outra história.
Na verdade, esqueçam o que leram. Permaneçam agindo e nascendo normalmente. Vivendo suas vidas normais, dentro de suas famílias unidas e perfeitas, comendo no mínimo três refeições por dia, usando roupas da moda custem o que custarem, fazendo novos amigos que só se importam com a marca do seu celular. Somos crias que nascem para tornarmo-nos adubo morto, não é mesmo? - eu discordo, mas sou apenas um filho como todos os outros o são.
Tenha um ótimo dia.
Do seu bom amigo,
Ódio.
Fora quando crianças que formamos nosso caráter básico. Visualizando o mundo a nossa maneira e suportando tantas regras que nos foram impostas desde que saímos do ventre de nossas mães, ou das provetas geladas. Um pensamento engraçado sempre aflora em minhas lembranças impossíveis de lembrar-me: o tapa da vida. Nascemos apanhando para que possamos receber a vida dentro de nossos pulmões e a razão não poderia ser mais simples, afinal viver é sofrer. Nos arrancam de nosso porto seguro, nos penduram de cabeça para baixo e desvencilham um tapa em nossas nádegas, ainda pálidas, para que o mundo possa ouvir mais um grito de dor e receber outro ser vivo sofredor.
Como eu dizia, as crianças sabem o que se passa ao redor delas, talvez melhor que os adultos. Nós envelhecemos e ficamos caducos, mas as crianças possuem toda a alegria, a juventude e a perspicácia de um detetive profissional. Lembra-se da primeira vez que viu algo pela primeira vez? Eu não lembro o que eram, mas sinto o cheiro das ocasiões e dos sentimentos que exalavam da minha pele. Por exemplo o cheiro de uma bolacha muito conhecida que é coberta por uma espeça camada de chocolate vem até minhas narinas de vez em quando, mas nunca me lembrei da situação. O que isso tem a ver? Esse cheiro sempre me deixou alegre. Não sei que tipo de feitiço ele tem sobre os químicos do meu cérebro, mas ele sempre surte efeito. O cheiro da lembrança.
Agora vamos ás cicatrizes. Quem não lembra da primeira briga dos pais? Do primeiro xingamento sério de um familiar? Do primeiro soco no olho, da primeira lágrima no rosto da mãe, do enterro de um avô, etc? São todos motivos para certas atitudes, fraquezas, disposições e espasmos que temos durante a vida toda. Para afastar os fanáticos religiosos eu tenho uma linha de pensamento que vê o nascimento de uma criança como o único meio que um deus possa se mostrar real perante a sociedade. Sem gente, quem criaria um deus? Até mesmo nossos pais celestes acham que somos ignorantes demais para entender que eles são seres mesquinhos que necessitam de nós para sobreviver. Exato, deuses são nossos servos. Mas isso é outra história.
Na verdade, esqueçam o que leram. Permaneçam agindo e nascendo normalmente. Vivendo suas vidas normais, dentro de suas famílias unidas e perfeitas, comendo no mínimo três refeições por dia, usando roupas da moda custem o que custarem, fazendo novos amigos que só se importam com a marca do seu celular. Somos crias que nascem para tornarmo-nos adubo morto, não é mesmo? - eu discordo, mas sou apenas um filho como todos os outros o são.
Tenha um ótimo dia.
Do seu bom amigo,
Ódio.
6.4.09
_andando de quatro
Fazia tempo que eu não parava para pensar. Depois de me espreguiçar um pouco acho que vou até a cozinha ver se encontro alguém, talvez a casa esteja vazia - tanto faz pra mim. Como eu dizia, faz tempo que eu não paro pra pensar um pouco nas coisas, qualquer coisa. Não que a vida esteja muito dura, mas também não estou vivendo a base de leite e mel. Ah, minha cozinha, está branca e tinindo como eu bem gosto. Ainda bem que a Juliana sabe como as coisas tem que ficar. Detesto quando as pessoas não prestam atenção em mim e naquilo que eu mando e desmando, sabe como é, né? Me distraí de novo, mas é que alguém deixou a lata de atum aberta em cima da mesa de jantar e eu não resisto a um enlatado. Talvez só um pedacinho, a Ju não vai perceber - sempre reclama que estou acima do peso. Tá vendo? É disso que eu to falando, ando muito distraído e meus pensamentos não se mantém coesos e firmes. Qualquer petisco ou movimentação estranha e eu já me ouriço e fico posto a desconversar com meus próprios devaneios, mas talvez seja genético. Nunca conheci a minha mãe, mas já ouvi o pai da Ju dizer algo sobre ela. Por mais incrível que a coincidência possa parecer, os dois se conheciam e, seja bom ou ruim, pelo jeitão do pai da Ju falar, talvez eles fossem próximos - até demais. Será que esse tipo de coisa é o que cria esses bloqueios na minha cabeça? Dúvido um pouco, sou esperto demais pra ser levado por meros sentimentos de perda. De volta a sala, acho que vou deitar um pouco no sofá e descansar.
- Nem me olhe desse jeito! - é a Ju, querendo me agarrar.
Toda vez que resolvo deitar no sofá ela não se aguenta e resolve vir correndo pra cima de mim. Não contem pra ninguém, mas a Ju é só um pouco mais alta que eu - talvez em metros.
- Ai!
Pronto ela não se aguentou - pra variar um pouco - e já está apertando as minha bochechas e esmagando a minha cara contra a dela. Quando será que as mulheres vão entender que nós não gostamos dessas coisas? Um carinho de vez em quando até vai, mas ser tratado como um bebezão e esmagar o meu corpo com a mão, alegando estar massageando as minhas costas, é um absurdo berrante! Sou macho, meu Deus, e exijo o devido respeito ao meu espaço, meu tempo. Tá, eu entendo que a Juliana só está tentando demonstrar o seu amor por mim, mas já pensou se o pai dela chega e nos encontra assim? Pois é, esqueci de falar, nós ainda moramos com os pais dela. A mãe dela faleceu a alguns anos e a Ju achou melhor ficar por aqui, eu acho. Portanto, ficar nessa agarração toda a todo momento pode me deixar em maus lençóis, sem contar que o pai da Ju é meio esquisito. Não me entendam mal, não quero dizer que ele é louco, insano ou temperamental no sentido mais negativo da palavra, mas, bom, é isso mesmo na verdade. Pensem o que quiserem, só que um homem daquela idade gritar com a própria filha, porque eu estava andando com as unhas muito compridas, não é o que eu chamo de pessoa sã. E pra completar a minha estupenda e graciosa infelicidade, a Ju, muito prestativa, resolveu dar ouvidos ao velho dela e depois de muita luta me segurou e cortou cada uma das minhas unhas - gostava do jeito que estavam. Será que ela nunca vai sair de cima de mim?
- Toma essa! Pronto, agora você sai, né Ju?
Não sou o tipo machão que bate em mulheres, mas ás vezes elas pedem para tomar uma boa surra, parece que não se tocam que estão incomodando. Opa! Esse barulho foi da porta, lá vem o grande paizão com alguma novidade ou reclamação sem sentido. Ué o que é isso que ele tem nas mãos?
- Ei, não me empurra, seu velho! Ju, você não vai fazer nada?
Parece que se mexe, como se estivesse respirando. Ah não! Não pode ser! Mas é sim.
- Um cachorro? Você sabe que odeio cachorros! Ei, Ju! Nada de ir pegando ele no colo! Não, não!
Era disso que eu estava falando! Acho que não tenho mais espaço nessa casa, pelo menos não pelos próximos quarenta minutos. Ainda bem que eles sempre esquecem a janela da sala aberta, lá fora talvez eu me lembre como faço para voltar a parar e pensar. Fui.
- Nem me olhe desse jeito! - é a Ju, querendo me agarrar.
Toda vez que resolvo deitar no sofá ela não se aguenta e resolve vir correndo pra cima de mim. Não contem pra ninguém, mas a Ju é só um pouco mais alta que eu - talvez em metros.
- Ai!
Pronto ela não se aguentou - pra variar um pouco - e já está apertando as minha bochechas e esmagando a minha cara contra a dela. Quando será que as mulheres vão entender que nós não gostamos dessas coisas? Um carinho de vez em quando até vai, mas ser tratado como um bebezão e esmagar o meu corpo com a mão, alegando estar massageando as minhas costas, é um absurdo berrante! Sou macho, meu Deus, e exijo o devido respeito ao meu espaço, meu tempo. Tá, eu entendo que a Juliana só está tentando demonstrar o seu amor por mim, mas já pensou se o pai dela chega e nos encontra assim? Pois é, esqueci de falar, nós ainda moramos com os pais dela. A mãe dela faleceu a alguns anos e a Ju achou melhor ficar por aqui, eu acho. Portanto, ficar nessa agarração toda a todo momento pode me deixar em maus lençóis, sem contar que o pai da Ju é meio esquisito. Não me entendam mal, não quero dizer que ele é louco, insano ou temperamental no sentido mais negativo da palavra, mas, bom, é isso mesmo na verdade. Pensem o que quiserem, só que um homem daquela idade gritar com a própria filha, porque eu estava andando com as unhas muito compridas, não é o que eu chamo de pessoa sã. E pra completar a minha estupenda e graciosa infelicidade, a Ju, muito prestativa, resolveu dar ouvidos ao velho dela e depois de muita luta me segurou e cortou cada uma das minhas unhas - gostava do jeito que estavam. Será que ela nunca vai sair de cima de mim?
- Toma essa! Pronto, agora você sai, né Ju?
Não sou o tipo machão que bate em mulheres, mas ás vezes elas pedem para tomar uma boa surra, parece que não se tocam que estão incomodando. Opa! Esse barulho foi da porta, lá vem o grande paizão com alguma novidade ou reclamação sem sentido. Ué o que é isso que ele tem nas mãos?
- Ei, não me empurra, seu velho! Ju, você não vai fazer nada?
Parece que se mexe, como se estivesse respirando. Ah não! Não pode ser! Mas é sim.
- Um cachorro? Você sabe que odeio cachorros! Ei, Ju! Nada de ir pegando ele no colo! Não, não!
Era disso que eu estava falando! Acho que não tenho mais espaço nessa casa, pelo menos não pelos próximos quarenta minutos. Ainda bem que eles sempre esquecem a janela da sala aberta, lá fora talvez eu me lembre como faço para voltar a parar e pensar. Fui.
1.4.09
_b de burrice
Deixe eu me apresentar.
Por muitas vezes, em aspectos adversos da vida, fui considerado algo tão inferior quanto um anus de cobra. Disto, tiramos que a associação deste órgão animal remete ao fato de ser uma metáfora, deveras real, daquilo mais baixo que encontramos na face desta terra. Porém, tanto quanto eu sei, é uma fatalidade utilizar os animais como exemplo mesquinho e pejorativo para ofendermos aqueles que não acreditamos fazerem parte dos nossos mesmos patamares intelectuais. Isto, pois os animais são seres altamente complexos. Desde a sua maneira de pensar, chamada instinto, como a sua funcionabilidade - e com isso a de seu organismo. Mesmo assim, os opressores que criaram este sistema feroz e selvagem como as mais densas florestas amazonicas, são os verdadeiros objetos de tal referência a minha pessoa. Tavez eu seja o ponto final que inicia uma frase. O fogo que arde no inferno para queimar cada fibra mortal de todos os seres indecentes e corruptos que já pisaram na face da terra, apenas para marcar, matar e crucificar o povo inocente!
Hahahaha... deveras me excedi!
Mas deixe de lado essa máscara que uso para esconder o meu verdadeiro nome e dizer que sou seu servo e que pode me chamar de "amigo".
Pode perguntar se sou burro e serei honesto em responder que ouvirá muito isso por aí.
Por muitas vezes, em aspectos adversos da vida, fui considerado algo tão inferior quanto um anus de cobra. Disto, tiramos que a associação deste órgão animal remete ao fato de ser uma metáfora, deveras real, daquilo mais baixo que encontramos na face desta terra. Porém, tanto quanto eu sei, é uma fatalidade utilizar os animais como exemplo mesquinho e pejorativo para ofendermos aqueles que não acreditamos fazerem parte dos nossos mesmos patamares intelectuais. Isto, pois os animais são seres altamente complexos. Desde a sua maneira de pensar, chamada instinto, como a sua funcionabilidade - e com isso a de seu organismo. Mesmo assim, os opressores que criaram este sistema feroz e selvagem como as mais densas florestas amazonicas, são os verdadeiros objetos de tal referência a minha pessoa. Tavez eu seja o ponto final que inicia uma frase. O fogo que arde no inferno para queimar cada fibra mortal de todos os seres indecentes e corruptos que já pisaram na face da terra, apenas para marcar, matar e crucificar o povo inocente!
Hahahaha... deveras me excedi!
Mas deixe de lado essa máscara que uso para esconder o meu verdadeiro nome e dizer que sou seu servo e que pode me chamar de "amigo".
Pode perguntar se sou burro e serei honesto em responder que ouvirá muito isso por aí.
23.3.09
_ formas geométricas
Tudo se resume a formas geométricas.
Bilhões de anos de evolução da terra e alguns milhares de desenvolvimento humano para descobrir que somos fissurados por formas, figuras e objetos matematicamente criados. O homem primitivo, por exemplo, viu a necessidade de criar a roda - um objeto circular que usamos até hoje para sobrevivermos. Nos prendemos por linhas paralelas, ou não-paralelas, e conexões de pontos e extremidades. Não é difícil pensar na questão das formas geométricas e tão pouco é necessário PhD em desenho geométrico.
Nos dias de hoje vivemos em quadrados empilhados em formas retangulares, nos locomovemos em losangulos colocados sobre círculos, andamos sobre ruas de paralelepípedos, construímos tudo com mini-retângulos de barro ou longos retângulos de metal... Agora mesmo estou apertando, com os dedos, em imagens alfabéticas estampadas em pequenos quadrados (teclas) colocados em um grande retângulo (teclado) conectado em um retângulo maior ainda (CPU), abaixo de um quadrado que chamamos de tela.
Mas e se quebrarmos tudo? Destruirmos toda a forma existente na Terra! Carros, prédios, casas, empresas, ruas, instrumentos musicais, computadores, entre outras milhares de coisas fabricadas pelo homem. O que sobraria?
Um grande planeta azul em forma de esfera.
Bilhões de anos de evolução da terra e alguns milhares de desenvolvimento humano para descobrir que somos fissurados por formas, figuras e objetos matematicamente criados. O homem primitivo, por exemplo, viu a necessidade de criar a roda - um objeto circular que usamos até hoje para sobrevivermos. Nos prendemos por linhas paralelas, ou não-paralelas, e conexões de pontos e extremidades. Não é difícil pensar na questão das formas geométricas e tão pouco é necessário PhD em desenho geométrico.
Nos dias de hoje vivemos em quadrados empilhados em formas retangulares, nos locomovemos em losangulos colocados sobre círculos, andamos sobre ruas de paralelepípedos, construímos tudo com mini-retângulos de barro ou longos retângulos de metal... Agora mesmo estou apertando, com os dedos, em imagens alfabéticas estampadas em pequenos quadrados (teclas) colocados em um grande retângulo (teclado) conectado em um retângulo maior ainda (CPU), abaixo de um quadrado que chamamos de tela.
Mas e se quebrarmos tudo? Destruirmos toda a forma existente na Terra! Carros, prédios, casas, empresas, ruas, instrumentos musicais, computadores, entre outras milhares de coisas fabricadas pelo homem. O que sobraria?
Um grande planeta azul em forma de esfera.
26.2.09
_um monstro e seus sentimentos
Passo metade dos meus dias refletindo sobre o impensável e entendendo que todos os meus passos são resultados das conseqüências de meus atos ilícitos e aceitáveis.
- Você deve ter ambição! Ser alguém! Isso é o sonho de um homem de verdade!
O desejo alheio sempre é imposto sobre os outros como o sentido da verdade e da absoluta certeza de como ser feliz de uma forma coletiva. Pensamentos que funcionam com uma base religiosa que cria todo o sentido de que o melhor para todos é passar a eternidade agradando um deus que os criou e os fez sofrer por milênios.
Mas a questão é que eu sempre caminhei pelo errado e para o errado. Subjugado pelas atitudes e ações de um dito criminoso. Ateu, revolucionário, anarquista, drogado, boêmio e filósofo. Sempre sem ambição e sendo naturalmente o projeto de todo o desprezo humano. Nunca me vi merecendo o paraíso ou o perdão de mortais e imortais. Tudo sempre me pareceu errado na maneira certa que está.
- Você é louco! Pára de querer mudar o mundo!
Acredito que todos tem em seus ideais ou em suas ideologias, algo em torno de um terço de razão. Quando um zagueiro percorre todo um campo para tentar fazer um gol, mas é interceptado (carrinho) e o time rival faz a virada ser o grito da torcida, quem está errado? Esse é um dos maiores motivos por eu não ser compreendido. Como alguém pode aceitar todos os lados e todos os opostos sem se importar ou se magoar?
- É minha fé, minha crença, meu time, meu partido!
E qual o problema de eu não crer no que os outros crêem? Pra mim, consumir a sua própria existência com coisas tão pequenas e absurdas é como negar o próprio dom que é a vida. Sejam o que quiserem ser, mas não tentem me fazer igual a vocês! Eu sou assim, errado e imperfeito. Eu quero me manter vivendo pela insanidade da minha razão.
Nem sempre todos é tudo. Assim como nem todos os dedos da mão são tortos por causa de um mindinho quebrado, o julgo alheio sobre a minha maneira de ser, de repente, faz sentido.
Confesso que errei e ainda erro - talvez com mais freqüência que antes. Por isso, ainda me surpreendo quando a vida me presenteia com os mais belos regalos e os mais profundos suspiros de paz e sossego.
- Sendo assim, o que você tem para oferecer aos outros?
Tenho a mim mesmo e é tudo que eu posso dar, pois isso é tudo que eu quero de alguém. Dinheiro, fama, poder e ilusões, não fazem parte das minhas metas como ser vivente. Vivo pelos sentimentos da dor, do prazer, da saudade e do amor.
Sempre falhei com os outros, pois os outros exigem de mim aquilo que eu não posso ser, aquilo que eu não sou. Machuco e grito alto demais para que não queiram me ouvir novamente.
Porém, com você é diferente. Afasto você, sim, mas não a quero longe de mim. É engraçado saber que você sabe disso, estranho é entender que você compreende isso. Na verdade, eu nunca te afastei.
Todos os dias que me deito na cama demoro para cair no sono. Pensamentos não param de correr pelos quatro cantos do meu cérebro. Em especial, uma pergunta afirmativa:
- Quem diria que um monstro como eu, ganharia algo tão especial como você?
- Você deve ter ambição! Ser alguém! Isso é o sonho de um homem de verdade!
O desejo alheio sempre é imposto sobre os outros como o sentido da verdade e da absoluta certeza de como ser feliz de uma forma coletiva. Pensamentos que funcionam com uma base religiosa que cria todo o sentido de que o melhor para todos é passar a eternidade agradando um deus que os criou e os fez sofrer por milênios.
Mas a questão é que eu sempre caminhei pelo errado e para o errado. Subjugado pelas atitudes e ações de um dito criminoso. Ateu, revolucionário, anarquista, drogado, boêmio e filósofo. Sempre sem ambição e sendo naturalmente o projeto de todo o desprezo humano. Nunca me vi merecendo o paraíso ou o perdão de mortais e imortais. Tudo sempre me pareceu errado na maneira certa que está.
- Você é louco! Pára de querer mudar o mundo!
Acredito que todos tem em seus ideais ou em suas ideologias, algo em torno de um terço de razão. Quando um zagueiro percorre todo um campo para tentar fazer um gol, mas é interceptado (carrinho) e o time rival faz a virada ser o grito da torcida, quem está errado? Esse é um dos maiores motivos por eu não ser compreendido. Como alguém pode aceitar todos os lados e todos os opostos sem se importar ou se magoar?
- É minha fé, minha crença, meu time, meu partido!
E qual o problema de eu não crer no que os outros crêem? Pra mim, consumir a sua própria existência com coisas tão pequenas e absurdas é como negar o próprio dom que é a vida. Sejam o que quiserem ser, mas não tentem me fazer igual a vocês! Eu sou assim, errado e imperfeito. Eu quero me manter vivendo pela insanidade da minha razão.
Nem sempre todos é tudo. Assim como nem todos os dedos da mão são tortos por causa de um mindinho quebrado, o julgo alheio sobre a minha maneira de ser, de repente, faz sentido.
Confesso que errei e ainda erro - talvez com mais freqüência que antes. Por isso, ainda me surpreendo quando a vida me presenteia com os mais belos regalos e os mais profundos suspiros de paz e sossego.
- Sendo assim, o que você tem para oferecer aos outros?
Tenho a mim mesmo e é tudo que eu posso dar, pois isso é tudo que eu quero de alguém. Dinheiro, fama, poder e ilusões, não fazem parte das minhas metas como ser vivente. Vivo pelos sentimentos da dor, do prazer, da saudade e do amor.
Sempre falhei com os outros, pois os outros exigem de mim aquilo que eu não posso ser, aquilo que eu não sou. Machuco e grito alto demais para que não queiram me ouvir novamente.
Porém, com você é diferente. Afasto você, sim, mas não a quero longe de mim. É engraçado saber que você sabe disso, estranho é entender que você compreende isso. Na verdade, eu nunca te afastei.
Todos os dias que me deito na cama demoro para cair no sono. Pensamentos não param de correr pelos quatro cantos do meu cérebro. Em especial, uma pergunta afirmativa:
- Quem diria que um monstro como eu, ganharia algo tão especial como você?
29.1.09
_eu no caminho de outro
Muitas pessoas buscam por elas mesmas em retiros, viagens, buscas incertas pelo mundo a fora. Isso não é uma regra a ser seguida, aliás podemos nos inspirar com o simples fato de existirem pessoas que enfrentam tormentas psicológicas e naturais para encontrarem um sentido na sua própria existência. E foi exatamente o que aconteceu comigo, hoje, ás 03:20 da madrugada. Por uma dica cultural de um amigo, que está viajando a algum tempo pela Europa, sobre um rapaz chamado Chris McCandless e sua incrível aventura para viver na natureza, sem recurso algum, no Alasca, eu acabei indo mais a fundo para conhecer um pouco mais dessa história e descobrir quem era esse rapaz, mas para minha surpresa eu acabei conhecendo um pouco mais de mim mesmo.
O filme inteiro mostra a determinação e o desapego aos ditos valores morais, que a sociedade coloca como peso sobre nossas cabeças, no qual o garoto acha a determinação suficiente para continuar sempre em frente. Ele deixa para trás seus pais perturbados e sua irmã, com quem ele repartia um grande apego familiar. Ao longo do caminho, Chris conhece figuras que eu podia ver como membros familiares ou grandes amigos, mas mesmo que todos fizessem o melhor para ele e ele se agradasse disso, o garoto precisava continuar indo em frente, tratando a todos como se fossem obstáculos. Isso me tocou no sentido que para ele era muito fácil desapegar de pessoas que sentiam tanto amor por ele, que choravam a sua partida, mas ele não se importava, seus sonhos eram mais altos e seu único plano era o Alasca.
Depois de ingerir uma planta venenosa, por ter se enganado quanto a sua espécie, Chris percebe que vai morrer e não há nada que possa fazer, ele está no meio de lugar nenhum, dentro de um furgão abandonado, no meio do Alasca. Ele sempre acreditou que era errado acreditar que a felicidade estava na base das relações humanas, mas que estava em todo e qualquer lugar. Outra coisa que para mim era difícil entender, pois interajo direto com pessoas, me alegrando e me entristecendo.
Mas foi aí que veio o grande climax, para mim, de todo o filme. Pouco tempo antes de morrer, Chris pega um dos livros que tanto lia e cita Tolstoy como sua conclusão: "Happiness is real only when shared". Isso significa que a felicidade só é real quando compartilhada. Ele precisou encontrar o isolamento, deixar todos para trás, magoar milhares de corações, para entender que ele nunca poderia viver da maneira que ele queria, pois a felicidade estava com as pessoas que o amavam e que ele, sabendo ou não, amava também.
Nesse momento meus olhos viraram verdadeiras piscinas de lágrimas. Imagens aos montes começaram a passar pela minha cabeça, pessoas que eu conheço ou conheci, aqueles que eu maltratei ou que ainda maltrato, as decisões que tive que tomar na vida, a maneira com que reagi, as vezes em que virei as costas para as pessoas que mais precisavam de mim... Ando um pouco sensível ultimamente, mas não entendo o porque, mesmo. Só sinto que meu corpo e minha mente estão implorando para eu mudar, para eu fazer algo, coisas que eu ainda tenho muito medo...
Mas quem sabe eu não consigo mudar as coisas? Tentar fazer da maneira que eu sinto que é certo. Tudo é muito incerto. Seria mais fácil se eu tivesse alguém pra dividir tudo isso e como conseqüência ser feliz.
O filme inteiro mostra a determinação e o desapego aos ditos valores morais, que a sociedade coloca como peso sobre nossas cabeças, no qual o garoto acha a determinação suficiente para continuar sempre em frente. Ele deixa para trás seus pais perturbados e sua irmã, com quem ele repartia um grande apego familiar. Ao longo do caminho, Chris conhece figuras que eu podia ver como membros familiares ou grandes amigos, mas mesmo que todos fizessem o melhor para ele e ele se agradasse disso, o garoto precisava continuar indo em frente, tratando a todos como se fossem obstáculos. Isso me tocou no sentido que para ele era muito fácil desapegar de pessoas que sentiam tanto amor por ele, que choravam a sua partida, mas ele não se importava, seus sonhos eram mais altos e seu único plano era o Alasca.
Depois de ingerir uma planta venenosa, por ter se enganado quanto a sua espécie, Chris percebe que vai morrer e não há nada que possa fazer, ele está no meio de lugar nenhum, dentro de um furgão abandonado, no meio do Alasca. Ele sempre acreditou que era errado acreditar que a felicidade estava na base das relações humanas, mas que estava em todo e qualquer lugar. Outra coisa que para mim era difícil entender, pois interajo direto com pessoas, me alegrando e me entristecendo.
Mas foi aí que veio o grande climax, para mim, de todo o filme. Pouco tempo antes de morrer, Chris pega um dos livros que tanto lia e cita Tolstoy como sua conclusão: "Happiness is real only when shared". Isso significa que a felicidade só é real quando compartilhada. Ele precisou encontrar o isolamento, deixar todos para trás, magoar milhares de corações, para entender que ele nunca poderia viver da maneira que ele queria, pois a felicidade estava com as pessoas que o amavam e que ele, sabendo ou não, amava também.
Nesse momento meus olhos viraram verdadeiras piscinas de lágrimas. Imagens aos montes começaram a passar pela minha cabeça, pessoas que eu conheço ou conheci, aqueles que eu maltratei ou que ainda maltrato, as decisões que tive que tomar na vida, a maneira com que reagi, as vezes em que virei as costas para as pessoas que mais precisavam de mim... Ando um pouco sensível ultimamente, mas não entendo o porque, mesmo. Só sinto que meu corpo e minha mente estão implorando para eu mudar, para eu fazer algo, coisas que eu ainda tenho muito medo...
Mas quem sabe eu não consigo mudar as coisas? Tentar fazer da maneira que eu sinto que é certo. Tudo é muito incerto. Seria mais fácil se eu tivesse alguém pra dividir tudo isso e como conseqüência ser feliz.
21.1.09
_dramaníaco
O vento bateu mais forte esta tarde e o assovio das janelas me pareceram uivos de uma matilha machucada. Sempre tenho a sensação de que algo ruim e cinematográfico está para acontecer comigo quando me vejo sozinho em algum canto. Ruim, porque nasci para o drama e cinematográfico, porque sempre quero fazer um drama nascer. Estava um dia como outro qualquer, até mais ensolarado que os outros dias, mas ventava como nunca. Você sabe, talvez não, mas além de latinos e brasileiros, o estado da Florida adora receber um furacão ou outro, de vez em sempre. A sensação não era de preocupação, pelo contrário, acho que estava um pouco ansioso.
Imaginem comigo: o prédio começa a tremer, as luzes piscam e a imagem na tv fica trêmula e desliga antes que possa anunciar o estado de alerta. Os armários da cozinha se abrem e todos os talheres e louças começam a cair e quebrar ao chão, fazendo desnecessária uma trilha sonora no momento. Eu me agarro as paredes, achando que elas poderiam estar mais firmes do que eu - enganei-me. Tudo começa a cair sobre minha cabeça e antes que eu possa reagir e correr para a escada, um bloco cai sobre minha cabeça e tudo escurece. Nesse ponto, não adiantaria mostrar todo o trajeto de um soterrado, vamos para a casa de algum colega ou grupo de colegas. Casa de um amigo, todos reunidos conversando e curtindo o momento. Alguém sente a necessidade de ligar a televisão em algum momento da noite e quase que por coincidência o canal sintonizado é o da CNN. "And a building just fell to the ground in southeast Miami, more especific at the Brickell Avenue area", disse o jornalista e foi o suficiente para alertar a todos na sala. Boquiabertos e preocupados os meus colegas se alarmam e esperam pelo pior. Gritos, esperneios, ações sem sentido, falta de esperança, aperto no coração e o jornalista prossegue dizendo que "we have here at the Miami Public Hospital one of the few survivors of this awful disaster, these images may be disturbing". A imagem na tela sou eu, machucado é pouco, estaria a beira da morte ou, ao menos, estragado o suficiente para que meus colegas me reconhecessem, apenas na hora em que o repórter dissesse meu nome, por causa do passaporte que encontraram no meu casaco.
Seria uma cena e tanto, bastariam 5 minutos e eu teria feito história. Ao invés disso o meu telefone tocou, me despedi dos amigos com quem conversava no laptop e fui almoçar fora. Talvez tenha sido melhor assim. É bom estar vivo... criar e vivenciar mais alguns dramas.
Imaginem comigo: o prédio começa a tremer, as luzes piscam e a imagem na tv fica trêmula e desliga antes que possa anunciar o estado de alerta. Os armários da cozinha se abrem e todos os talheres e louças começam a cair e quebrar ao chão, fazendo desnecessária uma trilha sonora no momento. Eu me agarro as paredes, achando que elas poderiam estar mais firmes do que eu - enganei-me. Tudo começa a cair sobre minha cabeça e antes que eu possa reagir e correr para a escada, um bloco cai sobre minha cabeça e tudo escurece. Nesse ponto, não adiantaria mostrar todo o trajeto de um soterrado, vamos para a casa de algum colega ou grupo de colegas. Casa de um amigo, todos reunidos conversando e curtindo o momento. Alguém sente a necessidade de ligar a televisão em algum momento da noite e quase que por coincidência o canal sintonizado é o da CNN. "And a building just fell to the ground in southeast Miami, more especific at the Brickell Avenue area", disse o jornalista e foi o suficiente para alertar a todos na sala. Boquiabertos e preocupados os meus colegas se alarmam e esperam pelo pior. Gritos, esperneios, ações sem sentido, falta de esperança, aperto no coração e o jornalista prossegue dizendo que "we have here at the Miami Public Hospital one of the few survivors of this awful disaster, these images may be disturbing". A imagem na tela sou eu, machucado é pouco, estaria a beira da morte ou, ao menos, estragado o suficiente para que meus colegas me reconhecessem, apenas na hora em que o repórter dissesse meu nome, por causa do passaporte que encontraram no meu casaco.
Seria uma cena e tanto, bastariam 5 minutos e eu teria feito história. Ao invés disso o meu telefone tocou, me despedi dos amigos com quem conversava no laptop e fui almoçar fora. Talvez tenha sido melhor assim. É bom estar vivo... criar e vivenciar mais alguns dramas.
8.1.09
_chicago '70
"As aparências ditam as regras do jogo. Não importa com quem você esteja falando ou qual a marca do seu belíssimo terno azul de risca de giz, você tem que mostrar que é alguém importante. Quantas vezes uma boa resposta não salvou meu pescoço?! Tenho as cicatrizes contadas para contar.
Medo! Isso eles respeitam. Nesse mundo não temos tempo para discutir o que é ético, mesmo que alguns acreditem que somos os cavaleiros de Deus na terra. Uma .40 bem colocada entre os dentes de um carcamano faz ele entregar a própria mãe para um tarado qualquer - dito e feito.
Não somos deuses, temos nossos medos, nossas seqüelas...
Quando era pequeno, minha mãe sempre me dizia que a diferença entre Deus e os homens era que Deus não tinha medo, porque ele estava acima de tudo. Observava tudo e a todos sobre as nuvens, ninguém fica acima de Deus, ele é o padrino de todos.
Hunf... Deus...
Pensando bem, esqueça o que eu disse. Não temos medo, somos o topo da cadeia alimentar. Somos nós, gangster e malandros, que colocamos e deixamos tudo em ordem por aqui. Deixamos os imbecilles com seqüelas irreversíveis e desovamos seus corpos na frente da casa de suas mães para que o exemplo seja dado para todos.
Deus? Se ele existe ou não, pouco me importa. Mas se ele pensar em se meter nos meus negócios, na minha cidade... Eu mostro pra ele como fazemos as coisas por aqui.
Aqui, em Chicago, eu sou DEUS!"
Medo! Isso eles respeitam. Nesse mundo não temos tempo para discutir o que é ético, mesmo que alguns acreditem que somos os cavaleiros de Deus na terra. Uma .40 bem colocada entre os dentes de um carcamano faz ele entregar a própria mãe para um tarado qualquer - dito e feito.
Não somos deuses, temos nossos medos, nossas seqüelas...
Quando era pequeno, minha mãe sempre me dizia que a diferença entre Deus e os homens era que Deus não tinha medo, porque ele estava acima de tudo. Observava tudo e a todos sobre as nuvens, ninguém fica acima de Deus, ele é o padrino de todos.
Hunf... Deus...
Pensando bem, esqueça o que eu disse. Não temos medo, somos o topo da cadeia alimentar. Somos nós, gangster e malandros, que colocamos e deixamos tudo em ordem por aqui. Deixamos os imbecilles com seqüelas irreversíveis e desovamos seus corpos na frente da casa de suas mães para que o exemplo seja dado para todos.
Deus? Se ele existe ou não, pouco me importa. Mas se ele pensar em se meter nos meus negócios, na minha cidade... Eu mostro pra ele como fazemos as coisas por aqui.
Aqui, em Chicago, eu sou DEUS!"
21.12.08
_então é natal
Finalmente o bom velhinho vai sair de sua casa, no pólo norte, e distribuir para toda as crianças do mundo, sua mensagem de amor, de esperança e presentes. É fato marcado que algumas crianças quando perguntadas sobre quem é Deus, descrevem uma figura similar, senão exatamente igual, ao velho pólo-nortista.
No mundo cristão, o natal é a celebração do nascimento do menino Jesus, símbolo principal de toda a religião pós-judaica. Sendo assim, com quase 33% de toda a população mundial sendo cristã (católicos, protestantes, etc), o natal é uma das festas pseudo-religiosas mais globalizada do mundo. Ao modo de ver desses mesmos crentes, essa festa é motivo de celebração e perpetuação das mensagens de paz e harmonia entre todos os povos, mas de boas intenções o inferno está cheio. Mantendo o pensamento niilista da Igreja e acompanhando os relatos bíblicos, os fiéis não só relembram do nascimento do seu Messias, como também, o fato de seu retorno estar, possivelmente, cada vez mais próximo. Lendo algumas páginas do livro de apocalipse, podemos relatar fatos fantásticos e inimagináveis para meros mortais como nós - “E vi subir do mar uma besta que tinha sete cabeças e dez chifres, e sobre os seus chifres dez diademas, e sobre as suas cabeças um nome de blasfêmia, APC 13:1” - e ao mesmo tempo, paramos para pensar sobre o tal dia que há de chegar.
Com todas as palavras de esperanças contidas neste livro, os próprios fiéis sentem calafrios ao ouvirem termos como “besta” e “sofrimento eterno”. Por outro lado, enquanto nós cristãos aguardamos o dia do retorno de nosso Messias com certo distanciamento, pessoas que passam horrores muito mais assustadores do que os relatados na Bíblia, anseiam pelo dia descrito a tanto tempo atrás.
Li a pouco uma matéria na VEJA – manipuladora, mas com informações relevantes – que me deixou intrigado e pensativo. Enquanto o simbolismo natalino é espalhado e vendido por empresas publicitárias e companhias de telemarketing, milhares de pessoas são postas sob a opressão e o desespero de vivenciarem um genocídio sem fim no coração da África. Cristãos de países desenvolvidos fazem trabalhos missionários, acreditando que disseminar a palavra de Deus para os povos menos afortunados, trará a salvação, talvez não neste mundo, mas noutro. A resposta é dura e sincera: “Precisamos de Cristo não porque os homens se esquecem de ter fé, mas porque, com freqüência, eles abandonam a Razão e cedem ao horror”.
É triste saber que ainda, depois de tantas décadas, o homem não aprendeu com os seus erros e pior, insiste constantemente em repetí-los. Guerras pelo poder e pelo dinheiro, como crianças disputando um canto melhor do playground. Fronteiras dividindo países, pessoas, famílias, esperanças. Ditadores disfarçados de políticos e políticos disfarçados de revolucionários. Um mundo, onde as pessoas não podem confiar nem em suas próprias sombras, declama que o Natal vem aí para trazer amor e esperança.
Escrevo a minha carta para o Papai Noel com cópia para Deus e peço a eles que leiam com atenção e compreendam a minha boa intenção. Se é que algum dos dois existe, venham e terminem de vez com a dor de tantas pessoas no mundo. Ajudem aqueles que precisam e merecem – relativo – ser ajudados. Quantas mais lágrimas e quanto mais sangue a terra há de degustar até o Salvador retornar? Me sinto infeliz por saber que essa carta não tem destinatário real e nunca será respondida, mas mais infeliz eu fico de saber que a culpa é do homem e o homem nada faz para mudar.
No mundo cristão, o natal é a celebração do nascimento do menino Jesus, símbolo principal de toda a religião pós-judaica. Sendo assim, com quase 33% de toda a população mundial sendo cristã (católicos, protestantes, etc), o natal é uma das festas pseudo-religiosas mais globalizada do mundo. Ao modo de ver desses mesmos crentes, essa festa é motivo de celebração e perpetuação das mensagens de paz e harmonia entre todos os povos, mas de boas intenções o inferno está cheio. Mantendo o pensamento niilista da Igreja e acompanhando os relatos bíblicos, os fiéis não só relembram do nascimento do seu Messias, como também, o fato de seu retorno estar, possivelmente, cada vez mais próximo. Lendo algumas páginas do livro de apocalipse, podemos relatar fatos fantásticos e inimagináveis para meros mortais como nós - “E vi subir do mar uma besta que tinha sete cabeças e dez chifres, e sobre os seus chifres dez diademas, e sobre as suas cabeças um nome de blasfêmia, APC 13:1” - e ao mesmo tempo, paramos para pensar sobre o tal dia que há de chegar.
Com todas as palavras de esperanças contidas neste livro, os próprios fiéis sentem calafrios ao ouvirem termos como “besta” e “sofrimento eterno”. Por outro lado, enquanto nós cristãos aguardamos o dia do retorno de nosso Messias com certo distanciamento, pessoas que passam horrores muito mais assustadores do que os relatados na Bíblia, anseiam pelo dia descrito a tanto tempo atrás.
Li a pouco uma matéria na VEJA – manipuladora, mas com informações relevantes – que me deixou intrigado e pensativo. Enquanto o simbolismo natalino é espalhado e vendido por empresas publicitárias e companhias de telemarketing, milhares de pessoas são postas sob a opressão e o desespero de vivenciarem um genocídio sem fim no coração da África. Cristãos de países desenvolvidos fazem trabalhos missionários, acreditando que disseminar a palavra de Deus para os povos menos afortunados, trará a salvação, talvez não neste mundo, mas noutro. A resposta é dura e sincera: “Precisamos de Cristo não porque os homens se esquecem de ter fé, mas porque, com freqüência, eles abandonam a Razão e cedem ao horror”.
É triste saber que ainda, depois de tantas décadas, o homem não aprendeu com os seus erros e pior, insiste constantemente em repetí-los. Guerras pelo poder e pelo dinheiro, como crianças disputando um canto melhor do playground. Fronteiras dividindo países, pessoas, famílias, esperanças. Ditadores disfarçados de políticos e políticos disfarçados de revolucionários. Um mundo, onde as pessoas não podem confiar nem em suas próprias sombras, declama que o Natal vem aí para trazer amor e esperança.
Escrevo a minha carta para o Papai Noel com cópia para Deus e peço a eles que leiam com atenção e compreendam a minha boa intenção. Se é que algum dos dois existe, venham e terminem de vez com a dor de tantas pessoas no mundo. Ajudem aqueles que precisam e merecem – relativo – ser ajudados. Quantas mais lágrimas e quanto mais sangue a terra há de degustar até o Salvador retornar? Me sinto infeliz por saber que essa carta não tem destinatário real e nunca será respondida, mas mais infeliz eu fico de saber que a culpa é do homem e o homem nada faz para mudar.
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