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27.6.10

_ sem cobertor

____Tanto temor sem sentido deve ter um motivo para existir. O calafrio na barriga, o nervosismo que faz com que o tempo não passe e a sensação de estar sendo enganado, mesmo sem ter nada que indique isso. A insegurança é tamanha, mas as razões ainda estão encobertas por algum tecido de refinaria tão fina que nem posso me aproximar.

____Todas as luzes da casa ficam acesas nesse momento. A televisão, o computador, os abajures e – mesmo que sem razão, afinal é inverno – o ventilador. Tudo fica ligado. Já eu, fico ligado também, mas no telefone, ou no celular, com o bote preparada para quando qualquer um deles tocar. Pena de mim que sei a hora que você vai ligar, sei onde você está e com quem está, mas mesmo assim os sentimentos são irredutíveis. De alguma forma, sem contrariar a minha contradição, eu tenho plena confiança em tudo que me diz. E não poderia ser diferente. Toda insegurança é toda minha.

____Tenho certeza de que está bem e que está se divertindo. Quem sabe eu tenho ciume do seu sorriso. Não. Seria uma injustiça muito grande, minha insegurança não tem pacto com o seu sofrer. Sei que por vezes o ato de não ter certeza interfere completamente na razão de nossa coexistência e na irracionalidade do nosso amor. Mas como este não é o intuito da minha deficiência psicológica, não ache que é essa a única consequência do meu jeito de ser. E já que eu trouxe o ciúme para compartilhar este espaço, resta-me questionar se a minha insegurança anda com ele de dúvidas dadas.

____Tudo é tão complicado. Um amor encobertado. Sem segredos, seguindo a minha contradição. Então, se há confiança e há carinho, não haveria motivo para tal falta de um portuário seguro na minha consciência. Talvez se eu arrancar sem medo essa tal coberta de alfaiataria tão rara, eu venha a descobrir e entender esse nervosismo que eu passo toda vez que você não está ao meu lado. Mas e depois?

____Tendo descoberto todos os segredos, logicamente, o nervosismo vai embora e lavará consigo tantos momentos de penúria sem motivos. Nunca mais sofreria por não saber. Saberia todos seus passos, todas suas vontades, todos os seus desejos. Tudo. Descoberto. Amostra.

____Tão insensato seria se eu o fizesse de fato.

14.6.10

_ O amor morreu e ninguém se deu conta

Alguns acreditam em sua existência como divindade maior e geradora de nossas vidas, outros imaginam que não passa de um sentimento inventado por burgueses - pois seriam os únicos com tempo e dinheiro para resistir a um casamento, por exemplo. Mas o mais interessante é que independente dos prós e contras, todos querem obter um amor, ou o amor. Infelizmente, o que venho relatar é que o amor morreu faz muito tempo e ninguém deu conta da sua ausência até então. Como eu sei disso? Da mesma maneira que uma mentira é contada várias vezes para se tornar uma verdade, a verdade proferida excessivamente acaba virando uma mentira. E hoje, mais que nunca, dizer que ama alguém se tornou um cumprimento e não mais uma demonstração de carinho e afeto diferentemente maior que o comum. Amigos se amam, amantes se amam; até mesmo inimigos se amam. Não que amar seja ruim, mas tudo em excesso tem seus efeitos colaterais. Todos estão falando, mas ninguém está amando. Nossa desesperada busca pelo calor incomensurável que trás consigo o amor, fez com que nós o sufocássemos até a sua morte. Matamos o amor pelo amor ao amor, afinal nada é mais obcecado e eticamente incorreto que o amor. Essas crianças sem pretensão a mudanças bruscas, sem vontades revolucionárias nunca amarão. O amor é para os loucos, para os desesperados e radicais. O amor livre já não é amor na sua essência, pois o amor é uma prisão da qual possuímos a chave. Esse amor libertário (ou libertino?) definha e maltrata o coração verdadeiramente apaixonado, pois não completa, não aquece, não aprisiona. Porém é por essa falta de amor verdadeiro em sua mistura que o "amor livre" conseguiu tornar-se hoje tão brando em tantas camadas sociais e tribos diferentes; e graças a isso ninguém se deu conta de que o amor morreu ao invés de ter ressuscitado de forma abrangente e sem recriminações - o que é absurdo, pois nada é mais discriminador e preconceituoso do que o conceito do amor verdadeiro. O amor é um ditador que diz quem devemos amar, como devemos agir, quem devemos ser. E não adianta acreditar na ranzinzes ou na arrogância para escapar da ditadura do amor, pois os maiores "durões" da história não passavam de garotos e garotas afogados em amor por seus ideais, idéias ou cônjuges. Vinícius mesmo, com sua famosa "Que não seja imortal, posto que é chama", afogou-se inúmeras vezes no mar do amor, pois era uma chama que ardia muito mais forte que seus próprios pensamentos e vontades - casado quase dez vezes. O amor é casca grossa e não dá mole pra ninguém. Faz-nos amar o impossível, nos faz desejar o inalcançável e nos abandona com a depressiva solidão. Talvez o amor tenha morrido, pois era muito rígido. Mas a verdade é que sentimos falta dessa pressão, seja mínima ou abusiva; desse frio na barriga, dessa falta de saliva, do suor nas palmas das mãos e da palpitação exacerbada do coração que nos gagueja a fala. E por mais que seja difícil para alguns entender a prisão enriquecedora que é o amor, essa é a verdade e sua busca infindável: reviver o amor que um dia você matou.