9.2.09

_silêncio do dizer (deusa Muda)

beleza indescritível para meros mortais
mas o que tinha de divino, tinha de prazer no falar
especular fatos e trair deuses, combinações fatais
segredos obscuros revelados, sua língua irão decepar

a aparência não mais conduzia o conteúdo
sem proferir palavras ou emanar sinais de vida
poderia alguém apaixonar-se por um ser mudo
deixada às portas do inferno com a alma ferida?

o destino é cruel, mas é também brincalhão
decepou seu órgão amado e entregou-lhe um coração
seu executor era também poeta, vivia na ilusão
fora, com este mensageiro, descobrir o senso de paixão

o mundo girou, tempo passou, a terra tremeu
escolheram unir-se, o que mais haveria de se fazer?
para eles tudo se manteve, nada os abateu
uns viraram um, apenas pelo silêncio do dizer

5.2.09

_ponto final para continuar sem um fim

deixou tudo em nome da possessão
consumida pela sua própria obsessão
não deixou que eu me curasse da dor
me abraçava dizendo que era amor

sentia-se satisfeita, bastava, era só
destratava meus sentimentos, assim, sem dó
jogou minhas espectativas contra a parede
"não sou eu, é você que ninguém entende"

suas palavras, tão ásperas, tão malditas
mexiam em minhas atitudes, ficavam aflitas
sua risada amarga debochava da minha opinião
sempre foi mais forte por saber a verdade e eu não

tesão em rasgar a minha pele inteira
me comprou com um monte de asneira
apenas para perfurar o meu coração
nunca entendi qual era sua motivação

eu passava o dia inteiro a te beijar
agia ansioso até a hora de te amar
larguei minha vida para salvar a sua
como prêmio um não e o olho da rua

passei o tempo todo sofrendo ao seu lado
sei que merecia mais, merecia ser amado
contudo, está tudo muito melhor assim
precisava de um ponto final para não ser meu fim.

1.2.09

_desistam de mim

desista de mim de uma vez
sou um caso perdido e ninguém vê isso
nunca amei ninguém e espero que todos sofram
tudo o que eu tenho dentro de mim é ódio
saiam da minha vida e me deixem em paz
eu não irei mudar por causa de milagres
marque na sua cabeça que eu não quero seu bem
tenho meus motivos para não andar armado
um deles é você
a raiva não me consome, me completa e conforta
aconchego-me na minha própria escuridão
estou cansado de alertar a todos sobre isso
desistam antes que seja tarde demais
eu vou virar as costas para todos que me amarem
atacarei pelas costas, sem piedade
sou o pior tipo que já encontraram por ai
detesto seus discursos amigáveis e conselhos idiotas
não quero melhorar, não quero ser alguém
a podridão faz parte do meu ser, é o que eu sou
olhe dentro dos meus olhos e enxergue meu coração
meus sonhos de destruição
existo para trazer-lhe sofrimento eterno

_(des)encontrando minha alma

minha alma se refugia em alto mar
para que suas lágrimas caiam desapercebidas
sem poder ver através da espessa camada de neblina
ela se perde no caminho até sua decadente morada
buscando por um horizonte, um caminho a seguir
seu esforço começa a pesar sobre seu senso de esperança
mergulhada em meio as águas salgadas do oceano
não se sabe quantas são lágrimas suas ou de outrem
existência infinita confinada em uma ampulheta finalística
as ondas se acalmam por um instante, algo novo aconteceu
o eterno azul sente o sabor de ferrugem, concentrado, grosso
sangue? uma alma está a sangrar em pleno alto mar
perversidade contra a vida, afronta ao próprio deus
eu sinto a dor dela, sinto a abertura d'um corte profundo
sou eu!? sou eu quem está sangrando!
mas onde está a minha alma? eu a vi sofrendo sobre aquelas águas
não adianta, minhas vestimentas e meus pés estão ensopados
sou eu quem sofre durante todos esses anos
eu que preenchi o vazio dentro desta pocilga inundada
desencontrei a minha alma, mas encontrei a minha dor
lutar não é alternativa, muito menos uma opção
deixo o ar sair sem tentar lutar, faltam-me forças e vontade
deixei-me levar pelo comodismo de uma imaginação fértil
não sou descarado para tentar fazer de tudo um grande caso, não mais
só me arrependo por uma coisa, um algo que irá comigo para a cova:
ter causado um aborto espontâneo do fruto d'um conto de fadas.